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“Falamos para nós mesmos”, admite Freixo

O candidato do PSOL derrotado no Rio de Janeiro aponta os erros na campanha e os passos necessários para acertar na próxima

Por Luisa Bustamante Atualizado em 3 nov 2016, 13h52 - Publicado em 2 nov 2016, 19h37

Derrotado na eleição para prefeito do Rio de Janeiro, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) lista uma série de erros na campanha, entre eles a dificuldade de expor suas propostas de maneira mais objetiva. Do lado positivo, coloca em primeiro lugar a experiência adquirida: “Tivemos quase 1,2 milhão de votos e ganhamos um sentido de política muito importante”. Nesta entrevista a VEJA, Freixo diz que suas primeiras providências pós- eleição serão ampliar o debate com os evangélicos e promover encontros nas áreas onde teve baixa votação.

Onde a sua campanha errou? Entramos muito inexperientes no segundo turno e fomos surpreendidos por uma tática maldosa do Marcelo Crivella, de espalhar boatos que nos fizeram perder uma semana respondendo a ataques absurdos. Outro erro foi termos falado muito para nós mesmos, desde o vocabulário até a pauta. Aí melhoramos – no segundo turno, por exemplo, não fiquei repetindo “autonomia pedagógica”, que só nosso gueto entende. Mas podemos melhorar mais. Vejo nisso um exercício para a esquerda: não se preocupar só com quem fala, mas também com quem escuta.

Qual a sua avaliação do resultado? Dobramos a votação do primeiro turno e levamos muita gente para a rua. Ganhamos um sentido de política muito importante. Claro que fica uma tristeza e também uma preocupação grande com o Rio. Acho difícil o governo de Crivella se sair bem, com as composições que já está fazendo. É a velha política de cargos, gente brigando por secretaria.

É certo afirmar que seu voto vem só da classe média? Concordo que precisamos ampliar nosso diálogo. Não dá para dizer que todo evangélico é de direita e desistir. Estou trazendo para o meu gabinete um professor de história afinado com nossas ideias, que também é pastor evangélico e pode contribuir para nos aproximar deste público. Também precisamos estabelecer núcleos em todos os bairros. Pretendo fazer este ano uns dez encontros na Zona Oeste, fincar lá um grupo permanente para debater a cidade.

O senhor diz isso pensando em 2020? Não sei se vou me candidatar. Preciso estudar o mapa eleitoral com calma. E antes tem 2018, quando posso tentar a Câmara dos Deputados ou o Senado. A única certeza é que não continuo na Assembleia Legislativa. Acho que fui um bom deputado estadual, mas esta fase está se encerrando.

A rejeição geral à esquerda prejudicou? Claro. Há uma descrença na política em geral e na esquerda em particular, fruto de um ciclo que se acaba. Mas a campanha e os votos que conquistamos abriram espaço para fazer política de modo diferente. Dialogamos com setores do empresariado de quem nunca havíamos nos aproximado. O PSOL tem um papel a cumprir neste momento e é muito importante não ter o PT como referência.

A pulverização de partidos e candidatos no Rio enfraqueceu quase todos nesta eleição. Pode ocorrer o mesmo em 2018? Pode, sim. Só falo em nome do PSOL, e a chance de o partido não ter candidato é muito pequena. Estamos crescendo no estado, saímos da eleição municipal fortalecidos. Mas os partidos afins precisam conversar melhor em 2018.

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