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Fachin faz ‘seguro jurídico’ em julgamento do marco temporal

Presidente do STF interrompeu julgamento por defender análise conjunta com processo que discute possibilidade de reintegração de posse de terras

Por Laryssa Borges Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 4 jul 2026, 18h33
Fachin faz ‘seguro jurídico’ em julgamento do marco temporal Priorizar nos meus resultados Google

Nos dias de hoje, raramente a interrupção de um julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) é realmente para que o magistrado estude melhor o processo antes de proferir seu voto. Há pedidos de vista para postergar o resultado deliberadamente, pedidos de vista para evitar uma derrota iminente na sessão e pedidos de vista para recompor as articulações antes de um mal maior. Foi o que aparentemente fez o presidente do STF Edson Fachin ao paralisar o julgamento dos embargos contra a decisão da Corte que havia derrubado a controversa tese do marco temporal.

O marco temporal é uma tese que estabelecia que indígenas só teriam direito a terras historicamente ocupadas por ele se detivessem a posse ou estivessem disputando aquele território na data da promulgação da Constituição de 1988.

O principal nó a ser desatado no julgamento dos recursos do caso, interrompido pelo presidente do Supremo, trata dos critérios que serão utilizados para a indenização de fazendeiros que ocupavam de boa-fé a terra considerada indígena e que, por decisão do STF, terão de deixar as áreas.

Para o relator Gilmar Mendes, por exemplo, as indenizações futuramente pagas cabem à União e os valores devidos aos fazendeiros devem seguir critérios de mediação ou, se não for possível, o valor da terra nua utilizado para o cálculo do ITR, o imposto federal sobre propriedades rurais cobrado anualmente de proprietários de imóveis rurais, considerando o mês de dezembro do ano anterior ao decreto que homologou aquela região como terra indígena.

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Também a se manifestar no julgamento, o ministro Cristiano Zanin votou pela restrição das possibilidades de indenização quando se tratar de terra nua.

Ao interromper o julgamento, Fachin adotou uma espécie de seguro contra eventuais benefícios a fazendeiros por entender que as discussões acessórias sobre o marco temporal devem ser analisadas junto com outra rodada de julgamento, a que discute se é possível determinar a reintegração de posse de uma área declarada como de tradicional ocupação indígena.

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Neste outro julgamento tem repercussão geral, o que significa que seu resultado deverá ser aplicado a todos os demais casos semelhantes. Ele discute, entre outros pontos que tipo de indenização deve ser aplicada no caso de uma terra em disputa na data da promulgação da Constituição.

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