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Exército de 25 deputados aguarda ordem de Bolsonaro para definir partido

Aliados podem ir para futuro partido do presidente, para outra legenda aliada que ele definir e até ficar no União Brasil como base de apoio à reeleição

Por Laryssa Borges, Letícia Casado 17 out 2021, 11h08

O destino político de cerca de 25 deputados federais entrou nos últimos dias nos cálculos eleitorais de Jair Bolsonaro, que há quase dois anos procura um partido para chamar de seu. O exército de bolsonaristas, originalmente filiado ao PSL e ao DEM, está abrigado no recém-lançado União Brasil, resultado da fusão das duas siglas de centro-direita, mas também está a postos para se filiar onde o ex-capitão considerar mais conveniente. Pode inclusive manter parte da tropa dentro do próprio União como uma espécie de trincheira pró-presidente no maior partido do país. “A definição para qual partido o presidente irá vai influenciar a nossa decisão”, resume o deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO).

A ideia é que boa parte dos parlamentares migre para a agremiação a que Bolsonaro se filiar. Na hipótese de ele confirmar seu ingresso no Progressistas, dos caciques Ciro Nogueira (Casa Civil) e Arthur Lira (presidente da Câmara dos Deputados), há articulações, por exemplo, para que alguns deputados sejam deslocados para outras legendas aliadas, como o PTB, do mensaleiro Roberto Jefferson. Uma terceira frente de negociações ainda envolve, a partir da definição de palanques regionais, manter bolsonaristas de carteirinha à frente de postos-chave do União Brasil em estados estratégicos e ligados ao agronegócio, pilar de apoio do presidente na campanha de 2022.

Este último caso pode ser exemplificado com as candidaturas do ministro do Trabalho Onyx Lorenzoni ao governo do Rio Grande do Sul, da chefe da Agricultura Tereza Cristina a uma vaga ao Senado por Mato Grosso do Sul e com a pressão que aliados bolsonaristas, entre os quais evangélicos do Rio de Janeiro, fazem para ter ascendência sobre o comando local do União. Interlocutores do secretário-geral do União Brasil, ACM Neto, afirmam que, diante de realidades regionais e alianças naturais em palanques nos estados, não é possível criar uma ditadura de apoio ao eventual candidato que o partido eventualmente lançará à Presidência da República. Traições esporádicas seriam aceitas, por exemplo, entre correligionários do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, forte base do agronegócio, e entre os gaúchos por causa de Lorenzoni.

“No início os dirigentes alegavam que cada estado poderia ficar independente e poderia escolher quem quisesse apoiar, mas se eles optarem por um candidato de terceira via, como vou apoiar o Bolsonaro? Por isso vou para o partido que vai estar o presidente ou outro, se ele achar que é bom nos dividir com outros partidos aliados”, diz o deputado Bibo Nunes (PSL-RS). “Se o partido apoiasse Bolsonaro, para mim seria o melhor dos mundos porque meu eleitorado é majoritariamente bolsonarista e evangélico”, completa Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), que ameaça deixar o novo União Brasil se um desafeto for agraciado com o comando da sigla em território fluminense.

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