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Executivos da Odebrecht vão se calar em interrogatório na PF

Depoimentos estão agendados para esta sexta, mas defesas já informaram que seus clientes permanecerão em silêncio

Por Laryssa Borges - 17 jul 2015, 13h19

Depois de quase um mês na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, os executivos da construtora Odebrecht presos na 14ª fase da Operação Lava jato, entre eles o presidente da companhia, Marcelo Odebrecht, decidiram permanecer em silêncio nos interrogatórios agendados para esta sexta-feira em Curitiba. Esta seria a primeira vez que a Polícia Federal questionaria os empresários sobre as acusações de formação de cartel e corrupção envolvendo a Petrobras. Na manhã de hoje, as defesas de Odebrecht, Marcio Faria, Rogério Araujo, Alexandrino Alencar e César Rocha encaminharam petição ao delegado Eduardo Mauat informando que nenhum deles pretende responder às perguntas dos policiais.

Nesta sexta-feira vence o prazo para que se conclua o inquérito envolvendo a Odebrecht e a Andrade Gutierrez, duas das maiores empreiteiras do país suspeitas de integrar o Clube do Bilhão. Para a defesa dos executivos da Odebrecht, “diante da coação injusta a que estão submetidos e impedidos de conhecer todos os elementos da investigação, a única alternativa para os executivos é permanecer em silêncio durante os depoimentos”.

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Independentemente do interrogatório agendado para esta sexta-feira, em análise preliminar o juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato em Curitiba, considerou haver indícios de que Marcelo Odebrecht participava das irregularidades desvendadas no escândalo do petrolão, como formação de cartel, fraude em licitações e corrupção de agentes e que, por isso, deveria permanecer em prisão preventiva. O pedido de liberdade do executivo ainda será analisado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, mas para Moro é “improvável” que o empresário não tivesse conhecimento dos crimes de que a companhia é acusada ou mesmo que as supostas irregularidades fossem iniciativa exclusiva de subordinados da empresa.

Na avaliação do juiz, as provas indiciárias contra a construtora Odebrecht não se resumem a declarações feitas em delação premiada, mas em documentos, como o e-mail em que executivos da empresa discutiram a contratação de navios-sonda e a possibilidade de “sobrepreço” de até 25.000 dólares por dia. Na versão da defesa de Marcelo Odebrecht – ele próprio um dos destinatários da mensagem eletrônica – a palavra “sobrepreço” não seria superfaturamento, mas uma tradução do termo técnico em inglês “cost plus fee”, usado pelo mercado para designar valores adicionais cobrados por serviços extraordinários.

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