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EXCLUSIVO: As operações bilionárias suspeitas do grupo J&F

Relatório do Coaf revela que as empresas do grupo movimentaram 248 bilhões de reais em transações nebulosas, incluindo pagamentos a políticos

Por Hugo Marques, Thiago Bronzatto Atualizado em 29 set 2017, 20h42 - Publicado em 28 set 2017, 20h33

A Operação Lava-Jato produziu histórias e números superlativos ao desvendar desvios de 42 bilhões de reais, envolvendo mais de 2 000 suspeitos, com ramificações que se desdobram em 48 países em quatro continentes. Mesmo assim, ninguém estava preparado para o conteúdo do relatório sigiloso do Coaf, o órgão do Ministério da Fazenda encarregado de fiscalizar movimentações financeiras. Em 139 páginas, o documento, ao qual VEJA teve acesso, informa que as empresas do grupo J&F, do qual a JBS é a maior estrela, movimentaram nada menos que 248 bilhões de reais apenas em transações consideradas suspeitas nos últimos 14 anos.

  • Reportagem de VEJA desta semana detalha essas operações nebulosas do grupo J&F que, por mais de uma década, misturou dinheiro e poder, interesses públicos e particulares, negócios e corrupção. O material, considerado um dos mais complexos já produzidos até hoje pelo Coaf, comprova parte do que os próprios executivos da JBS já haviam confessado em delação premiada, revela casos novos e mostra caminhos ainda desconhecidos percorridos pelo dinheiro destinado a parlamentares, ministros, ex-ministros, partidos políticos ou operadores de propinas.

    Por meio de nota, o Grupo J&F afirma que desconhece o relatório do Coaf e que os executivos da empresa relataram os casos suspeitos em suas delações premiadas:

    “1.    A J&F informa que desconhece o relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) na qual se baseia a reportagem de capa da revista Veja (edição 2550).

    2.    Como é mencionado na própria matéria, o conceito do Coaf para considerar “suspeita” uma movimentação financeira “é largo. Às vezes, largo demais”. Ao registrar todas as transações, o valor mencionado na reportagem não reflete uma soma real, apenas a entrada e saída de recursos – incluindo operações realizadas de forma pública, lícita e oficial – e não revela nada de extraordinário, tão somente o tamanho de cada negócio.

    3.    Os casos concretos e suspeitos citados na matéria foram revelados pelos próprios colaboradores em depoimentos e dados à Procuradoria-Geral da República e ao Ministério Público Federal.

    4.    O Grupo J&F reafirma que os colaboradores apresentaram todas as informações disponíveis nos processos de colaboração firmados com a PGR e MPF e continuam, como sempre, à disposição da Justiça para novos esclarecimentos.”

    Para ler a reportagem na íntegra, compre a edição desta semana de VEJA no iOS, Android ou nas bancas. E aproveite: todas as edições de VEJA Digital por 1 mês grátis no Go Read.

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