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Excedente da propina de Dirceu ia para Vaccari, diz delator

Lobista Milton Pascowitch detalhou relação de Vaccari com o petrolão e forneceu “extensa documentação” sobre a propina recebida por Dirceu

Por Laryssa Borges - 3 ago 2015, 11h50

O lobista Milton Pascowitch, cuja delação premiada foi essencial para que os investigadores da Lava Jato conseguissem provar a participação do ex-ministro José Dirceu no petrolão, disse em depoimento ao Ministério Público que o excedente da propina repassada cotidianamente pela Jamp Engenharia à JD Consultoria era enviado ao então tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o homem do partido responsável por recolher o dinheiro sujo arrecadado a partir de contratos fraudados com a Petrobras.

O ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco foi um dos mais importantes delatores a colocar o PT no epicentro do escândalo do petrolão, ao afirmar que João Vaccari Neto recebeu de 150 milhões a 200 milhões de dólares em propina até 2013, por meio de desvios e fraudes em contratos com a Petrobras. Nas revelações de Barusco, ex-braço-direito de Renato Duque, que comandava a Diretoria de Serviços por indicação do ex-ministro da Casa Civil e mensaleiro condenado José Dirceu, o ex-dirigente fez questão de destacar a relação de proximidade entre Duque e Vaccari, nas palavras dele, “um contato muito forte”. Segundo o ex-gerente, Duque e o tesoureiro petista costumavam se encontrar no Hotel Windsor, no Rio, e no Meliá, em São Paulo. Os encontros tinham finalidade clara: trocar informações sobre o andamento de contratos, projetos e licitações da Petrobras.

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Aos investigadores que atuam na Lava Jato, Pascowitch também deu detalhes da relação de Vaccari com o bilionário esquema de fraudes na Petrobras e forneceu, segundo o juiz Sergio Moro, “extensa documentação” sobre a propina recebida por José Dirceu. De acordo com o delator, Dirceu designou dois destinatários preferenciais para os repasses de propina feitos pela Jamp – o irmão Luís Eduardo e o assessor Bob Marques.

Os dois eram responsáveis por cobrar da Jamp e da construtora Engevix “furos de caixa” da JD Consultoria, a empresa do ex-ministro utilizada como uma espécie de lavanderia da propina do petrolão. Nestes casos, a Engevix ou a própria Jamp simulavam contratos para justificar o repasse de dinheiro sujo a partir de desvios nos contratos das obras do gasoduto de Cacimbas II ou de simulações de serviços feitas pelas empresas Hope e Personal. “O contrato de Cacimbas 2 precisou ter um sobrevalor de remuneração para que houvesse a disponibilidade de recursos que deveriam ser repassados a José Dirceu”, afirmou Pascowitch em delação premiada.

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