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Ex-secretário de Segurança do governo Lula não crê em ataque de facções a candidatos à Presidência

Mário Sarrubbo diz que Brasil não se assemelha a 'narcoestado' e não vê possibilidade de atentados políticos ligados ao crime organizado

Por Nicholas Shores Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 jul 2026, 16h02
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A decisão do governo Donald Trump nos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas levantou uma série de questionamentos, entre eles sobre a hipótese de forças americanas, como os militares ou a CIA, realizarem operações secretas contra as facções dentro do território brasileiro.

Mas também fomentou discussões, inclusive entre candidatos à Presidência da República, sobre o nível de infiltração desses grupos criminosos na política e na economia formal e como combatê-las. Alguns dos postulantes sustentam que o discurso linha-dura de enfrentamento às facções os tornou alvo de ameaças de morte.

Especialistas em segurança pública e combate à criminalidade, no entanto, não veem, hoje, o crime organizado disposto a cometer atentados contra políticos, como se observa há algum tempo em países como o México ou a Colômbia. 

O ex-secretário Nacional de Segurança Pública Mário Sarrubbo, que trabalhou no governo Lula até fevereiro, declarou a VEJA que o cenário no Brasil não se assemelha a um “narcoestado” e nem evidencia um poder público “de joelhos”. “O crime organizado no Brasil, em especial a facção que nasceu em São Paulo, é muito profissional. É um crime muito mais negocial. Quando os negócios não vão bem, quando há brigas, eles vão para a violência. Não resta a menor dúvida. Mas, no campo político, as inserções das facções criminosas têm sido muito discretas, pelo menos em relação à facção que atua aqui em São Paulo. Tem sido uma coisa muito estratégica”, afirmou o promotor aposentado.

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O empresário Renan Santos (Missão), fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), antecipou a oficialização de sua candidatura à Presidência para contar com proteção da Polícia Federal, sustentando que a decisão era “questão de sobrevivência” depois de sofrer ameaças do PCC e do Comando Vermelho em visitas ao Ceará e ao Rio de Janeiro.

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De acordo com Sarrubbo, as organizações criminosas formam células locais com muita autonomia, que eventualmente podem emitir ameaças como as descritas por Santos, mas seria difícil imaginar uma ordem de assassinato partindo dos chefões nacionais das facções. “As lideranças vão até repreender quem agir dessa forma, porque esse tipo de ação aqui no Brasil atrapalha demais os negócios ilegais deles, que trabalham muito buscando o lucro”, disse o ex-procurador de Justiça de São Paulo.

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O cenário é um pouco mais cinzento em eleições locais, para vereadores, prefeitos e, até, deputados estaduais, que resvalam no objetivo de domínio territorial das facções. “A gente viu com uma frequência acima do desejável em 2024 vereadores que não podiam fazer campanha em determinados territórios, e o crime trabalhando para que a população votasse num determinado nome de interesse”, apontou Sarrubbo. “Mas não vejo a possibilidade de um atentado ligado ao crime organizado contra os candidatos à Presidência”, conclui.

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