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Ex-secretária diz que metade do salário ficava com Corrêa

Ex-deputado foi cassado e condenado no escândalo do mensalão e agora é acusado de lavagem de dinheiro, corrupção e peculato na Lava Jato

A comerciante Vera Lúcia Shiba, afirmou em depoimento ao juiz federal Sergio Moro que pagava metade de seu salário de secretária parlamentar para o ex-deputado federal Pedro Corrêa (ex-PP-PE). Arrolada como testemunha de acusação contra o ex-parlamentar, Vera Lúcia disse que foi o próprio político quem propôs o “pedágio”, sob a alegação de que precisava “ajudar nas despesas mensais dele”.

Pedro Corrêa foi cassado e condenado no julgamento do mensalão e agora é réu em uma ação penal do escândalo do petrolão. Ele é acusado de lavagem de dinheiro, corrupção e peculato.

De acordo com a testemunha, o pagamento de metade do salário de cerca de 8.000 reais foi feito entre os anos de 2006 e 2011, diretamente para o ex-assessor Ivan Vernon, que trabalhava com Corrêa. Para os investigadores, o ex-deputado era o destinatário final do pagamento, apesar de Ivan funcionar como intermediário do repasse.

“Em 2006, o deputado Pedro Corrêa me propôs um acordo, que eu desse metade [do salário] para ele e essa metade seria dada para o Ivan”, relatou a comerciante. Em 2012, Vera Lúcia passou a trabalhar para a filha de Pedro Corrêa, a ex-deputada Aline Corrêa, por um salário de 11.000 reais. Entre 2012 e 2014, quando permaneceu no cargo, a testemunha disse, porém, que não teve de repassar qualquer parcela dos vencimentos para a ex-parlamentar.

A versão apresentada pela comerciante apresenta pelo menos um ponto de conflito com o depoimento que ela própria prestou à Polícia Federal no dia 10 de abril. Na ocasião, Vera Lúcia havia dito que o acordo para pagar metade do salário tinha sido proposto pelo ex-assessor Ivan Vernon, e não pelo ex-deputado Pedro Corrêa.

A empregada doméstica Reinasci Cambuí de Souza também prestou depoimento ao juiz Sergio Moro e disse que o ex-assessor Ivan Vernon abriu uma conta bancária em seu nome para movimentar recursos. Ela afirmou que nunca trabalhou na Câmara dos Deputados, como constam nos registros, e sim como empregada com um salário de 900 reais mensais. O nome dela, segundo o Ministério Público, foi utilizado no esquema de lavagem de dinheiro do qual Corrêa e Vernon são acusados. “Ivan Vernon levou alguns papéis para eu assinar. E eu assinei. Eu não lia não porque eu confiava nele. Eu confiei porque passei 17 anos com ele [trabalhando como doméstica”, disse ela.