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Ex-mulher de Cachoeira se cala em reunião secreta da CPI

Andrea Aprígio ficou em silêncio durante duas horas de reunião a portas fechadas; estratégia agora é convertê-la em suspeita de participação no esquema.

Por Tai Nalon 8 ago 2012, 15h28

Em reunião secreta nesta quarta-feira, a empresária Andrea Aprígio, ex-mulher do contraventor Carlinhos Cachoeira, permaneceu calada durante as mais de duas horas em que foi questionada sobre seu patrimônio na CPI. Ela é suspeita de atuar como laranja em empresas do ex-marido.

Numa tentativa de minimizar as crescentes críticas de ineficácia da CPI, o senador Vital do Rego (PMDB-PB), presidente da comissão, disse que as investigações paralelas da Justiça concorrem com os trabalhos dos parlamentares. “Quando os depoentes estão vivendo uma dupla situação, sendo investigados na CPI e também em juízo, os depoimentos na grande maioria são depoimentos brancos. É natural.”

A opção de ouvir Andrea a portas fechadas, segundo ele, fazia parte de uma estratégia de convertê-la em suspeita no esquema comandado pelo ex-marido. “De certa forma, o seu silêncio às perguntas cria uma complicação que somente o relatório poderá dizer quando for votado na CPI.” Para ele, a reunião secreta foi “uma decisão acertada”.

Andréa Aprígio chegou à CPI munida de um habeas corpus que lhe garantia o direito de ficar calada. Ela usou pouco menos de 20 minutos para apresentar sua defesa, mas, para justificar sua recusa em responder às perguntas dos parlamentares, alegou razões familiares. “Estou extremamente desconfortável com a exposição de minha imagem e a de minha família”, disse. “Senhores e senhoras, acreditam sinceramente que alguém deixaria um bem em nome de uma ex-esposa ou de um ex-marido?”

‘Mediocridade’ – Integrante da CPI, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) foi taxativo em relação à ineficácia da CPI em conseguir algum fato novo. “Apelar para o expediente de fazer uma reunião secreta para uma testemunha ficar calada é reduzir a CPI à mediocridade”, atacou. “Cabe à CPI ouvir suspeitos como o [Fernando] Cavendish, o Cachoeira, e não ouvir testemunhas laterais como ex-mulher.”

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Os próximos passos, segundo o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), serão esses: os congressistas pretendem estabelecer as datas para convocação do ex-diretor do Dnit Luiz Antonio Pagot e do ex-diretor da Delta Fernando Cavendish na semana que vem. Também pretendem votar requerimento que converterá Andrea e Andressa de testemunhas no caso a suspeitas de participação no esquema.

Ainda no rol dos críticos aos trabalhos da CPI, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) disse que proporá à CPI na semana que vem encerrar o período de depoimentos e iniciar a etapa de acareação entre as testemunhas.

Laranja – Suspeito de atuar como laranja de Cachoeira em empresas de fachada, o contador Rubmaier Ferreira de Carvalho negou, em depoimento de cerca de uma hora, ligação com o contraventor e integrantes do esquema. Afirmou jamais ter conhecido Cachoeira e disse que não prestou serviços de contabilidade a empresas investigadas. Ele afirmou apenas que constituiu a construtora Brava, citada no caso.

Ele se negou a responder, no entanto, quando questionado sobre a quantia de R$ 2,3 milhões, que, segundo relatório do Coaf, teria recebido entre julho e agosto de 2005 para atuar para empresas envolvida esquema.

A CPI se reunirá novamente na próxima terça-feira.

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