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Ex-ministro Carlos Gabas é alvo da Custo Brasil

Aliado de primeira hora da presidente Dilma Rousseff, Gabas aparece na delação premiada do ex-vereador petista Alexandre Romano como destinatário de propinas

Por Laryssa Borges 23 jun 2016, 09h01

O ex-ministro da Previdência Carlos Gabas, um dos petistas mais próximos à presidente afastada Dilma Rousseff, foi alvo da Operação Custo Brasil, desdobramento da Operação Lava Jato que levou à prisão do também ex-ministro Paulo Bernardo Silva. A justiça expediu mandado de condução coercitiva contra o petista, mas ele não foi levado para depor. Ele ainda vai agendar uma oitiva para prestar esclarecimentos. O nome de Gabas apareceu na delação premiada do ex-vereador petista Alexandre Romano, conhecido como Chambinho.

O principal foco dos depoimentos de Chambinho é a senadora petista Gleisi Hoffmann, mulher de Paulo Bernardo, mas ele também listou em seus depoimentos petistas das mais diversas matizes, como o próprio Carlos Gabas. Aliado de primeira hora da presidente Dilma Rousseff, o petista foi citado como destinatário de propinas. Chambinho contou que parte do dinheiro sujo que recebia era dividida com Gabas, que ganhou fama, tempos atrás, por ter levado Dilma para passear por Brasília na garupa de sua Harley-Davidson.

Segundo Chambinho, o ex-ministro recebeu, durante quatro meses, repasses em dinheiro vivo que totalizaram cerca de 300.000 reais. De acordo com os depoimentos, os pacotes de dinheiro eram entregues pelo sócio de Chambinho a um parente de Gabas, que se encarregava de fazer os recursos chegarem ao ministro. Gabas foi ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil (SAC) e da Previdência Social no governo Dilma. Ele nega irregularidades.

Situação semelhante ocorreu com o jornalista Leonardo Attuch, também alvo da Custo Brasil. Em nota, a Editora 247, comandada por Attuch e suspeita de receber propina, disse que o jornalista prestará depoimento “de forma voluntária e espontânea”.

Ao longo das investigações da Operação Lava Jato, o juiz Sérgio Moro já havia detectado que o dinheiro do petrolão foi usado para bancar o site Brasil 247 a pedido do Partido dos Trabalhadores. Os repasses foram feitos pela Jamp, uma empresa de consultoria controlada pelo lobista Milton Pascowitch, delator do ex-ministro José Dirceu.”Considerando que a Jamp era, como afirma seu próprio titular, empresa dedicada à lavagem de dinheiro e repasse de propinas, parece improvável que o conteúdo do documento em questão seja ideologicamente verdadeiro, pois difícil vislumbrar qual seria o interesse de empresa da espécie em anunciar publicidade ou patrocinar matérias em jornal digital”, afirmou o juiz na ocasião. Em depoimento, Pascowitch disse aos investigadores da Lava Jato ter repassado dinheiro do petrolão para financiar o site Brasil 247 e, assim, assegurar o apoio da página ao PT. O autor do pedido foi João Vaccari Neto, ex-tesoureiro da sigla já condenado no petrolão. Pascowitch firmou um contrato de consultoria com o Brasil 247 utilizando a Jamp, uma empresa de fachada.

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