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Ex-governador do Rio, Garotinho é preso pela PF

Prisão é resultado da Operação Chequinho, que apura compra de votos durante as eleições deste ano

Por Da redação
Atualizado em 4 jun 2024, 19h33 - Publicado em 16 nov 2016, 11h03

O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, atual secretário de Governo de Campos dos Goytacazes (RJ), foi preso na manhã desta quarta-feira pela Polícia Federal em seu apartamento no Flamengo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A prisão preventiva é um desdobramento da Operação Chequinho, que apura a suspeita de compra de votos em Campos durante as eleições deste ano. A PF também cumpriu mandados de busca e apreensão no endereço do ex-governador. A sua mulher, Rosinha Garotinho, é prefeita da cidade do norte fluminense, base eleitoral do casal.

O nome da operação é uma referência ao programa Cheque Cidadão, que teria sido usado como moeda de troca para votos por candidatos à Câmara Municipal. O benefício, que prevê o pagamento de 200 reais a famílias carentes, foi suspenso pela Justiça em setembro. Em fases anteriores, deflagradas em outubro, três vereadores – Kellenson Ayres Figueiredo de Souza (PR), Miguel Ribeiro Machado (PSL) e Ozeias Martins (PSDB) – e a ex-secretária municipal Gisele Kock foram presos por suposta participação no esquema.

Segundo a PF, os suspeitos cadastravam eleitores no programa sem que eles fossem avaliados pela assistência social. Essa prática teria gerado uma explosão em mais de 100% no número de beneficiários de junho a outubro deste ano, quando aconteceram as eleições. Em alguns casos, os cartões do Cheque Cidadão eram entregues pessoalmente aos eleitores.

O mandado de prisão desta quarta foi expedido pelo juiz Glaucenir Silva de Oliveira, da 100ª Vara Eleitoral em Campos. Anthony Garotinho foi prefeito de Campos dos Goytacazes por dois mandatos, e governador do Rio de Janeiro de 1999 a 2002. Rosinha Garotinho também governou o Estado, entre 2003 e 2007.

Em nota, o advogado de Garotinho, Fernando Fernandes, classificou a prisão como “abusiva” e “ilegal”. A defesa também afirmou que já fez reiteradas denúncias contra a comarca eleitoral por maus-tratos a presos. “Estas denúncias de abuso foram dirigidas à Corregedoria da Polícia Federal e ao juiz, que nenhuma providência tomou. Pessoas presas mudaram vários depoimentos após ameaças do delegado. No entanto, o TSE já deferiu quatro liminares por prisões ilegais. A Justiça certamente não permitirá que este ato de exceção se mantenha contra Garotinho”, escreveu o advogado.

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Garotinho, que já foi candidato à Presidência da República em 2002, tem um extenso currículo de escândalos. Entre eles, um dos mais graves foi a suspeita de ter usado seu período no Palácio Guanabara (e também o de sua mulher, Rosinha) para acobertar as ações de um grupo de policiais que, encastelados na chefia da Polícia Civil, barbarizou o Rio de Janeiro cometendo ilícitos variados. A lista inclui facilitação de contrabando, formação de quadrilha, proteção a contraventores, cobrança para nomeação de delegados, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva. Em 2010, Garotinho chegou a ser condenado a dois e meio de prisão pela Justiça Federal do Rio por formação de quadrilha. Na mesma sentença, o ex-chefe da Polícia Civil na sua gestão, Álvaro Lins, foi condenado a 28 anos de reclusão por corrupção passiva, lavagem de bens e formação de quadrilha.

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