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Ex-aliado de Dilma vota pelo impeachment: ‘Ela colhe o que plantou’

Senador Blairo Maggi (PR-MT) reclamou da postura da presidente Dilma Rousseff de não ouvir os conselhos de seus aliados

Na véspera da votação que deve sacramentar o afastamento de Dilma Rousseff da Presidência da República, sobram críticas à condução da petista ao longo dos seus seis anos de gestão. Os ataques partem inclusive daqueles que até pouco tempo eram aliados e agora se debandam para o provável governo Michel Temer. Ex-líder do PR e cotado para o Ministério da Agricultura de Temer, o senador Blairo Maggi (MT) elevou o tom contra Dilma na manhã desta quarta-feira: “Ela colhe aquilo que plantou”.

De acordo com Maggi, ele cobra, desde a reeleição, uma mudança de postura por parte de Dilma. “A presidente, infelizmente, não quis ouvir seus líderes, não quis ouvir o empresariado, não quis ouvir seus conselheiros e tocou da forma como quis”, disse. “Várias vezes eu, quando era líder do partido, tive oportunidade de ir às reuniões e falar abertamente à presidente tudo aquilo que digo hoje, de que o rumo não era o correto e que o país estava no caminho errado”, continuou o senador.

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Ao ouvir os conselhos, diz Maggi, Dilma sequer dava um retorno. “Ela ouvia, mas não escutava. Ou escutava, mas não ouvia. Em várias reuniões longas, tensas, líderes colocaram muito claramente o que vinha pela frente. É lamentável que um governo, com toda a sua equipe, toda a sua estrutura, não conseguir transmitir para a presidente o caos que estava acontecendo na economia e aonde iríamos chegar. É lamentável que o governo fechou os olhos para uma questão tão séria quanto a economia brasileira”, continuou o senador.

Ele afirma ainda que, “no mínimo”, deveria ter havido o reconhecimento de que nas eleições de 2014 a petista disse uma coisa e tomou um rumo diferente.

Maggi, que votará pelo impeachment, calcula pelo menos 55 votos pelo afastamento de Dilma nesta quarta-feira. Ele é um dos favoritos para o Ministério da Agricultura de Temer e afirma que não terá “dificuldades” em ligar para a atual ministra, Kátia Abreu, e para outros ministros para conversar e “tentar fazer o melhor que pode ser”.