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‘Ética é meio, não fim’, diz Renan

Ao pedir voto dos colegas para se eleger presidente do Senado, o peemedebista defendeu a transparência do Senado - mas não comentou a denúncia feita que enfrenta

Por Gabriel Castro, Laryssa Borges e Marcela Mattos - 1 fev 2013, 12h38

O senador Renan Calheiros que subiu à tribuna nesta sexta-feira para pedir o voto do plenário na eleição para presidente da Casa parecia um representante do Brasil moderno, defensor do desenvolvimento e fiador das instituições democráticas – e não um exemplo da sobrevivência de velhas práticas na política brasileira.

Em seu discurso antes do início da votação secreta, Renan sequer fez menção às acusações que motivaram o procurador-geral da República a denunciá-lo por peculato, falsidade ideológica e falsificação de documento. Num ato falho, contudo, o peemedebista expôs o padrão moral que rege o Senado há decádas: “A ética não é objetivo em si mesma. O objetivo em si mesmo é o interesse nacional. A ética é meio, não é fim”, disse. É assim mesmo: em nome do “interesse nacional” os políticos adotam um padrão ético que só se aplica a eles, e que trata como “deslizes” os atos mais escabrosos.

Renan, que renunciou à presidência do Senado em 2007, tenta construir uma nova imagem: a de um parlamentar maduro, conciliador e defensor da democracia. Ele disse, por exemplo, que não tolerará ameaças à liberdade de imprensa: “O Congresso Nacional será uma barreira contra todas as iniciativas que sob qualquer pretexto, pretendam arranhar o nosso modelo democrático de liberdade de expressão”.

O candidato também anunciou a criação de uma secretaria da transparência do Senado, que deve facilitar o acesso da população às informações da Casa. E prometeu batalhar pela redução da carga tributária e a redução da burocracia no país.

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Ao término do discurso, o peemedebista foi aplaudido. Mas faltou explicar o principal: como um homem acusado de três crimes pelo chefe do Ministério Público Federal pode ter legitimidade para presidir o Congresso? Justamente para fugir da exposição, Renan tem evitado a imprensa e só anunciou oficialmente a candidatura na manhã desta sexta-feira.

A acusação que pode levar Renan à condição de réu no Supremo Tribunal Federal (STF) diz respeito ao mesmo episódio que o tirou da presidência do Senado em 2007. Na época, a jornalista Mônica Veloso, com quem ele tem uma filha fora do casamento, afirmou que o senador usava recursos de uma empreiteira para pagar pensão alimentícia.

Infográfico:

Na Rede de Escândalos, os – muitos – rolos de Renan Calheiros

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