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Mackenzie expulsa aluno por vídeo com ameaças: ‘Negraiada vai morrer’

Nas imagens, Pedro Baleotti afirma que estava indo votar armado

Um estudante de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie foi expulso da instituição por causa de declarações racistas em um vídeo compartilhado inicialmente pelo WhatsApp no segundo turno das eleições presidenciais. Nas imagens, vestindo uma camiseta de apoio a Jair Bolsonaro, Pedro Baleotti afirma que estava indo votar armado.”Essa ‘negraiada’ vai morrer!, diz, no vídeo.”

Em parecer descartando a abertura de ação civil pública, o Ministério Público de São Paulo considerou a medida adotada pela universidade suficiente. “Aplicou-se a sanção disciplinar máxima, de desligamento do estudante, medida pedagogicamente apta a dissuadir condutas racistas no âmbito da instituição”, diz o documento.

O promotor Eduardo Ferreira Valerio também afirmou não vislumbrou “racismo institucional” no caso, apenas a conduta individual do estudante. Belotti cursava o 10º semestre do curso de Direito e, um dia após o vídeo vir a público, foi demitido do escritório de advocacia onde estagiava.

A expulsão do aluno foi comemorada pelo coletivo negro Afromack. “A referida decisão demonstra a seriedade e o compromisso da universidade no combate ao racismo. O que é de suma importância não somente para comunidade mackenzista, mas para toda sociedade”, disse em nota. A universidade não se pronunciou.

No vídeo, o aluno estava indo votar em sua cidade, Londrina (PR), e anunciou que estava “armado com faca, pistola, o diabo, louco para ver um vadio, vagabundo com camiseta vermelha e já matar logo”. Ao virar a câmera para um ônibus e uma moto completou: “Essa negraiada vai morrer”. À época, o Mackenzie publicou uma nota repudiando a atitude do aluno e suspendeu-o provisoriamente, anunciando a abertura da apuração do caso. O escritório de advocacia em que Pedro trabalhava também se posicionou contra a ação e disse, em sua página oficial no Facebook, que “repudia qualquer manifestação que viole direitos e garantias estabelecidos pela Constituição Federal”.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo à época, o estudante Pedro Bellintani Balleoti disse estar arrependido. Ele contou que o vídeo foi enviado por WhatsApp para um amigo, que o repassou. “Foi uma fala completamente infeliz, eu estou completamente arrependido, não imaginava essa proporção que o vídeo ia tomar. Fiquei arrasado e arrependido pelo sofrimento que eu possa ter causado para todas essas pessoas”, disse.