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“Esquisito”, ex-ministro e malufista ficam com vagas deixadas na Câmara por novos secretários de Haddad

Assistente de palco do Ratinho, Marquito é suplente de Celso Jatene, que assume Esportes; Orlando Silva, envolvido em escândalo que lhe custou o ministério, entrará na vaga de Netinho de Paula

Por Jean-Philip Struck 5 dez 2012, 18h34

“Esquisito por esquisito, vote no Marquito”. O slogan do assistente de palco Marco Antonio Ricciardelli (PTB), conhecido por apanhar de convidados submetidos a testes de DNA no Programa do Ratinho, não foi suficiente para elegê-lo vereador em São Paulo no primeiro turno das eleições deste ano. Ele, que pretendia repetir o fenômeno Tiririca – palhaço escolhido deputado federal por mais de um 1 milhão de eleitores em 2010 – teve 22.198 votos que lhe garantiram apenas a suplência. Mas, agora, graças a um empurrãozinho do prefeito eleito Fernando Haddad (PT), que nomeou o vereador eleito Celso Jatene (PTB) para a Secretaria de Esportes, o assistente de palco vai poder assumir uma cadeira na Câmara paulistana.

E não é só Marquito. Outros quatro suplentes também devem assumir as vagas de vereadores eleitos convidados por Haddad para compor o novo secretariado do Executivo paulistano. As nomeações, até o momento – falta escolher ainda 11 dos 27 secretários -, farão com que assumam o posto de vereador na capital um ex-ministro acusado de participação em um esquema de desvios, um notório político malufista e um vereador que já defendeu publicamente a contratação de parentes (confira lista ao lado). Todos são suplentes de partidos que compõem a aliança que levou Haddad à vitória.

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O ex-ministro que vai virar vereador é figura conhecida em alguns dos recentes escândalos dos governos Lula e Dilma Rousseff: Orlando Silva (PC do B). Entre 2006 e 2011 ele comandou o Ministério do Esporte e deixou o cargo após ter seu nome envolvido em denúncias de desvios de verbas destinadas a programas sociais. Agora, Silva assume a vaga do pagodeiro e colega de partido Netinho, que foi convidado por Haddad para assumir a recém-criada Secretaria de Promoção da Igualdade Racial.

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Quem entra e quem sai na Câmara de São Paulo

ENTRAM:

  1. Orlando Silva (PC do B)
  2. Wadih Mutran (PP)
  3. Abou Anni (PV)
  4. Marquito (PTB)
  5. Alessandro Guedes (PT)

SAEM:

  1. Celso Jatene (PTB)
  2. Antônio Donato (PT)
  3. Netinho (PC do B)
  4. Roberto Trípoli (PV)
  5. Eliseu Gabriel (PSB)

Já Abou Anni (PV), vereador desde 2004, não se reelegeu neste ano, mas vai assumir a vaga de Roberto Trípoli (PV), nomeado titular da Secretaria de Verde e Meio Ambiente. Cassado em 2009 pela Justiça Eleitoral por suspeita de receber doações eleitorais irregulares, Abou Anni permaneceu como vereador ao conseguir suspender a sentença na Justiça. Em 2008, quando foi revelado que o vereador empregava parentes em seu gabinete, Abou Anni defendeu publicamente as contratações em uma entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. “A qualificação está na pessoa e não se é parente ou não”, disse à época.

O currículo de Wadih Mutran (PP) não é menos impressionante. Malufista de longa data e vice-líder do governo Celso Pitta (1997-2000), ele vai assumir a vaga do petista Antônio Donato, coordenador de campanha de Haddad, que será secretário de Governo. Mutran é também um dos personagens de algumas das célebres fotos que mostraram o deputado Paulo Maluf (PP-SP), o ex-presidente Lula e Haddad selando a polêmica aliança entre PP e PT nas eleições municipais, em junho.

No mês seguinte, Mutran foi assunto na imprensa quando entregou sua declaração de bens à Justiça Eleitoral. Os dados mostraram que ele declarou possuir patrimônio de 3,8 milhões de reais, contra 1,9 milhão declarados em 2008. Mutran justificou o aumento de patrimônio à sorte: “Em maio de 2009, eu tive a sorte de ter em mãos o bilhete completo cujo número saiu no primeiro prêmio”, disse, afirmando que havia ganhado 600 000 reais após apostar numa trinca – três bilhetes sorteados – cada um com prêmio de 200 000.

Mais uma das trocas envolve a saída do vereador e presidente do PSB municipal, Eliseu Gabriel, que vai para a Secretária de Desenvolvimento Econômico. No seu lugar, assume Alessandro Guedes, político petista ainda desconhecido que disputou sua primeira eleição e é ligado a ONGs que atuam no bairro do Itaquera, na Zona Leste de São Paulo.

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