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Especialista vê paralelos entre novo inquérito de Moraes e caso das fake news

Caso que provoca reações no meio jurídico foi debatido no programa Os Três Poderes

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 jan 2026, 19h00
Especialista vê paralelos entre novo inquérito de Moraes e caso das fake news Priorize VEJA no Google

A decisão do Supremo Tribunal Federal de abrir um inquérito para investigar a atuação de auditores da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) recolocou no centro do debate os limites do poder investigativo da Corte. O procedimento foi instaurado após suspeitas de quebra ou vazamento de sigilo envolvendo dados fiscais e financeiros de familiares de ministros do STF (este texto é um resumo do vídeo acima).

Para críticos da medida, o gesto representa uma inversão perigosa de papéis: órgãos de fiscalização passam a ser investigados justamente por exercerem sua função institucional. A iniciativa, avaliam especialistas, pode criar um efeito dissuasório sobre servidores públicos responsáveis por apurar movimentações financeiras sensíveis.

É possível comparar com o inquérito das fake news?

Na avaliação do advogado constitucionalista André Marsiglia, entrevistado no programa Os Três Poderes, há paralelos evidentes com o inquérito das fake news, aberto em 2019. Assim como naquele caso, a nova apuração nasce sem provocação do Ministério Público e concentra no próprio STF as funções de vítima, investigador e julgador.

“O risco é repetir o roteiro do inquérito das fake news, que começou com um discurso de proteção institucional e terminou com censura prévia à imprensa”, afirma. Desta vez, segundo ele, a estratégia seria diferente: não impedir a publicação de informações, mas bloquear a origem delas. “É como dizer: não vou censurar a imprensa, mas vou censurar a fonte.”

Investigação institucional ou intimidação velada?

Outro ponto sensível é o alcance da investigação. Em vez de apurar a conduta individual de servidores eventualmente responsáveis por vazamentos, o inquérito coloca sob suspeita instituições inteiras, como a Receita e o COAF. Para Marsiglia, isso equivale a investigar todo o Judiciário porque um juiz cometeu um abuso.

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A consequência, dizem juristas, pode ser um ambiente de autocensura dentro dos órgãos de controle, com receio de que o simples cumprimento do dever funcional resulte em sanções ou constrangimentos judiciais.

O que exatamente se tentou esconder?

Até agora, as informações que vieram a público dizem respeito a contratos privados e relações comerciais envolvendo familiares de ministros — dados que, segundo especialistas, são legítimos alvos de escrutínio jornalístico quando há interesse público envolvido.

“Se essas são as informações que se quer impedir que cheguem à imprensa, o problema não está no vazamento, mas no conteúdo”, diz Marsiglia. Para ele, o correto seria prestar esclarecimentos à sociedade, e não instaurar investigações contra os órgãos que permitiram que os fatos viessem à tona.

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Quais os riscos institucionais?

O episódio amplia o desgaste institucional em um momento em que o STF já é alvo de críticas por decisões monocráticas e pela expansão de suas atribuições. Ao atingir Receita Federal, COAF e, indiretamente, a imprensa, o novo inquérito pode aprofundar a percepção de que há uma blindagem excessiva em torno da Corte.

“O que está em jogo não é apenas um inquérito, mas a preservação das regras do jogo democrático”, resume. “Sem fiscalização independente e imprensa livre, não há transparência possível.”

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Os Três Poderes (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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