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Especialista diz que 2º turno em São Luís é mídia contra máquina

Cientista político afirma que Eduardo Braide deve apostar em debates e no horário eleitoral contra a máquina na campanha do prefeito Edivaldo Holanda Jr.

Por João Pedroso de Campos Atualizado em 22 out 2020, 19h59 - Publicado em 12 out 2016, 08h06

Azarão na disputa pela prefeitura de São Luís (MA) contra o prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT), o deputado estadual Eduardo Braide (PMN) foi uma das maiores surpresas nas eleições nas capitais brasileiras. Quatro dias após o Ibope mostrar que ele tinha 5% das intenções de voto, distante dos líderes Holanda Jr. e Wellington do Curso (PP), Braide conseguiu 21,34% dos votos e foi ao segundo turno.

Presidente do nanico PMN no Maranhão, Braide não é apoiado abertamente pelos clãs da política estadual e municipal e se declara independente. “Não negociaremos com partidos a entrega de secretarias em uma eventual administração. Nosso secretariado será técnico”, afirma.

No primeiro turno, Eduardo Braide teve apenas dez segundos de tempo na TV e 96.000 reais à disposição, onze vezes menos que o arrecadado por Edivaldo Holanda Jr. Para o segundo turno, com o mesmo tempo de exposição no horário eleitoral, o cientista político da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) Wagner Cabral entende que Braide deve apostar na figura “outsider” para amealhar os votos que outros candidatos opositores, como Eliziane Gama (PPS) e Wellington do Curso, cativaram em algum momento, mas não conseguiram consolidar.

Assim como políticos locais, Cabral também atribui o crescimento de Braide a seu desempenho nos debates de TV. Leia na entrevista abaixo:

Quais são os principais trunfos de Eduardo Braide e Edivaldo Holanda Jr. no segundo turno? O segundo turno vai marcar a diferença entre a máquina e a mídia. Braide terá o mesmo tempo de TV e passará por um processo de desconstrução que não enfrentou no primeiro turno. Sua vitória depende de seu desempenho de mídia, se colocando como outsider para capitalizar a onda de renovação e que já derrubou Eliziane e Wellington. Do lado do prefeito, podem fazer diferença a máquina e o apoio do governo do estado, além das diferenças na estrutura de campanha. O prefeito arrecadou mais dinheiro.

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O que explica a ascensão de Eduardo Braide? Até o final do ano passado, o cenário desenhado em São Luís tinha um prefeito com uma gestão mal avaliada e com alto índice de rejeição. Criou-se um sentimento de oposição na cidade, mas sem uma cara definida. Este sentimento, que vem também como anti-política, primeiro foi surfado por Eliziane Gama, que errou muito, e depois por Wellington do Curso. Os dois não se mantiveram, o que explica a ascensão de Eduardo Braide.

Quais foram os erros de Eliziane Gama? Ela tinha se saído muito bem na eleição de 2012 e teve uma eleição extraordinária para deputada. O problema é que ela virou candidata muito cedo e acabou sendo atacada sem uma boa estratégia de defesa. Eliziane também errou muito nas alianças. Errou na estratégia de tentar se viabilizar politicamente com uma aliança com o PSDB do ex-prefeito João Castelo, de quem ela foi uma das maiores críticas na eleição passada.

Votar pelo impeachment na Câmara não a ajudou? Há uma particularidade em São Luís e no Maranhão. Nacionalmente, o efeito do impeachment de Dilma e da Operação Lava Jato foi muito negativo às candidaturas do PT e votar a favor do impeachment foi positivo aos deputados que se candidataram. Como o Maranhão deu a maior votação a Dilma em 2014 e mais da metade da população de São Luís é contrária ao impeachment, o posicionamento de Eliziane, favorável à saída de Dilma, aumentou muito sua rejeição.

Wellington do Curso ocupou o espaço deixado por Eliziane, mas também não se manteve. Por quê? Ele é dono de um cursinho de muito sucesso, que tem muita propaganda. Então o curso é conhecido na cidade, e Wellington do Curso era conhecido por extensão. Esse voto de renovação migrou para ele, mas sem consistência, porque parte do eleitorado não o conhecia, muito menos seu desempenho midiático. A performance ruim dele nos debates gerou um vazio, por fim ocupado por Eduardo Braide. Wellington também sofreu desconstrução pela campanha do prefeito.

Que peso os debates na TV tiveram no resultado? O prefeito só foi para o debate da Globo e teve uma postura defensiva, para sair sem grandes perdas. E de fato saiu. O comportamento confuso e a baixa performance de Wellington permitiram que aparecesse a figura do Eduardo Braide. Havia a convicção de que ele sairia do patamar de 5% para 10% ou 15%, mas a coisa tomou um tamanho maior com o boca a boca sobre o desempenho dele no debate.

Debates costumam ser decisivos em São Luís? Tivemos um caso semelhante com Flávio Dino, em 2008. Ele teve um crescimento extraordinário no primeiro turno e foi para o segundo turno contra João Castelo, mas esbarrou na dificuldade de construir alianças políticas e na própria performance nos debates. Dino ia melhor, mas passava uma imagem de empáfia, que pegou mal para uma parcela importante do eleitorado. Braide terá que tomar esse cuidado. Ele não tem padrinhos, é desconhecido. Terá de consolidar esse voto mais claramente.

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