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Escolha de Weintraub para o MEC fortalece Onyx Lorenzoni

Meta do governo era encontrar alguém que ajudasse na articulação da reforma da Previdência

A indicação de Abraham Weintraub como ministro da Educação, para substituir Ricardo Vélez Rodríguez, foi a “solução caseira” encontrada pela equipe do presidente Jair Bolsonaro (PSL) para resolver uma disputa interna no governo. A decisão fortalece o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (MDB-RS), uma vez que o novo ministro era secretário executivo de seu ministério.

A meta do governo Bolsonaro era achar um perfil de ministro que também ajudasse na articulação da reforma da Previdência no Congresso. Conselheiros do presidente sugeriam um político para o cargo. Weintraub não havia sido lembrado até então para ocupar a cadeira, mas foi a saída de última hora.

O novo ministro da Educação atuou a maior parte da sua carreira no mercado financeiro, tendo passado pelo banco Votorantim e por uma corretora de investimentos. Nos últimos anos, já como professor da Unifesp, debruçou-se especialmente sobre o tema da Previdência, tendo dirigido o Centro de Estudos sobre Seguridade (CES), grupo que pesquisa o assunto.

Outra possibilidade era levar ao MEC Ivan Camargo, ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB), por quem Bolsonaro parecia mais inclinado. O deputado João Roma (PRB-BA) também foi mencionado. Havia, porém, outros citados, como os generais Oswaldo Ferreira e Alessio Ribeiro Souto.

A surpresa veio mais tarde, quando Bolsonaro anunciou a decisão de entregar a pasta, mais uma vez, a aliados do escritor Olavo de Carvalho, “guru” do presidente. Passaram a ser cotados para ministro, então, o secretário de Alfabetização, Carlos Nadalim, e o ex-secretário executivo adjunto Eduardo Melo.

Diante desse quadro, Onyx sugeriu Weintraub. Era, na definição do chefe da Casa Civil, a saída ideal: um técnico ligado a Olavo, mas que também tinha a confiança do Planalto. A retirada dos militares do MEC já é dada como certa

“Eu me lembro do dia no qual nós desejávamos que ele [Bolsonaro] compreendesse o quanto era importante a independência do Banco Central para dar solidez à economia. Ele foi falar 20 minutos com um tal professor paulista da Unifesp [Weintraub]. Ficou duas horas. Era contra e saiu a favor. A partir daí, fizemos o plano de governo”, contou Onyx nesta segunda.

(Com Estadão Conteúdo)