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‘Erros não justificam antropofagia institucional’, diz Renan

Eleito presidente do Senado, Renan prometeu criar uma secretaria de transparência

Por Laryssa Borges - 1 fev 2013, 15h18

Após ganhar com 38 votos de vantagem do adversário Pedro Taques (PDT-MT), Renan Calheiros disse nesta sexta-feira que não se deve promover uma “antropofagia institucional” para expurgar as deficiências e os deslizes do Senado Federal. A manifestação ocorreu após duro discurso em que Taques, candidato alternativo à presidência da Casa, criticou o corporativismo dos senadores.

“O Senado Federal é uma instituição centenária. Imperfeições se acumularam ao longo dos anos. Os excessos e erros, entretanto, não justificam uma antropofagia institucional”, disse Renan, após a confirmação de sua vitória. Ele afirmou que os senadores têm “agora a oportunidade de aprofundar a mudança de costumes e práticas”. “O Senado precisa se modernizar, se abrir ainda mais para sociedade”, afirmou.

De volta à cadeira de presidente, da qual teve de abrir mão em 2007 após sucessivas denúncias de irregularidades, Renan prometeu mudanças administrativas na Casa e a criação de uma secretaria de transparência, mas não fez referências a seus próprios desvios éticos ou à recente denúncia apresentada contra ele pelo Ministério Público ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Empossado presidente para um mandato de dois anos, até fevereiro de 2015, ele declarou ainda, em nome da instituição, que o Senado deve aceitar críticas e melhorar a condução de seus próprios trabalhos. “Nenhuma instituição pode se achar perfeita ao ponto de prescindir de aperfeiçoamentos. Toda instituição precisa ser refeita diariamente. Só aqueles que têm a humildade de assimilar as críticas, que são permeáveis às depurações e admitem corrigir erros, mantêm sua respeitabilidade. Aceitar críticas é um gesto de humildade e desejo de interagir com a sociedade. Assim teremos um legislativo forte”, afirmou.

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Renan também utilizou seu discurso após a vitória para agradecer às lideranças partidárias, inclusive as dos partidos políticos que, em rejeição a sua ficha suja, depositaram votos no “nome alternativo” de Pedro Taques. “A democracia é o convívio das diferenças. Como todos sabem não exerci a presidência do Senado Federal com métodos imperiais. A cultura do interior, os hábitos gregários do nordestino, a passagem pelo movimento estudantil e popular são escolas que modelam espíritos conciliadores”, discursou o novo presidente.

Aos senadores, que lhe deram 56 votos, Renan ainda anunciou propostas para sua gestão, entre as quais a apreciação de vetos presidenciais nunca votados pelo plenário, a discussão sobre contingenciamento orçamentário feito sem planejamento e uma solução para a enxurrada de medidas provisórias enviadas pelo Executivo. E ensaiou um discurso em prol da liberdade de imprensa: “É preciso frisar ainda que a imprensa precisa ser independente não só da tutela estatal, mas das forças econômicas. A pretensão de abolir o direito à liberdade de expressão, a qualquer pretexto, inclusive administrativo, é totalmente imprópria, até mesmo insana. Antes a exaustão da defesa do que a incapacidade de exercê-la”, disse.

Ainda nesta tarde, já sob a condução de Renan Calheiros, o Senado vai eleger os novos integrantes da Mesa Diretora da Casa.

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