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Ernesto critica ONU por receber Greta Thunberg e se calar sobre Venezuela

'No mesmo dia em que Greta foi falar na ONU, recebi uma foto de uma menina de 14 anos desnutrida na Venezuela', disse o ministro, em fórum em São Paulo

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, usou a ativista pelo clima Greta Thunberg, de 16 anos, para criticar a Organização das Nações Unidas (ONU) em seu discurso no fórum conservador CPAC Brasil, realizado neste sábado 12, em São Paulo.

Ernesto parafraseou a declaração de Greta contra líderes mundiais que se opunham ao combate contra as mudanças climáticas. “How dare you? (Como se atrevem?)”, disse ela, em palestra durante a Assembleia Geral da ONU. O ministro afirmou que a organização silencia sobre a crise econômica e social na Venezuela enquanto recebe uma menina sueca bem alimentada para discursar em sua sede em Nova York.

“No mesmo dia em que Greta foi falar na ONU, recebi uma foto de uma menina de 14 anos desnutrida na Venezuela. Greta, bem nutrida, estava na ONU. Nas mesmas Nações Unidas que não fazem nada por essa menina na Venezuela. Nas mesmas Nações Unidas que não fazem nada contra [o ditador venezuelano Nícolas] Maduro. Então eu que pergunto: how dare you? How dare you?”, disse Ernesto, aplaudido de pé pelos presentes.

O ministro foi responsável pelo discurso de abertura do CPAC Brasil neste sábado. Ele subiu ao palco homenageando a mulher, Maria Eduarda, e “sua alteza” Dom Bertrand de Orleans e Bragança, herdeiro da família real e que se encontrava na plateia.

Em determinado momento, Ernesto chorou ao dizer que jamais imaginou que estaria discursando em um fórum conservador no Brasil. Entre outros assuntos, ele atacou “o climatismo, o racialismo e a ideologia de gênero”. Disse que regimes totalitários são “essencialmente de esquerda” e pregou que o Brasil deve ter como prioridade os valores manifestados por Jesus Cristo.

Ao término do discurso, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) disse se sentir honrado de ter o ministro como seu “mentor intelectual”. O filho caçula do presidente Jair Bolsonaro foi indicado pelo governo para ser embaixador do Brasil em Washington, mas depende da aprovação do Senado para assumir o cargo.