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Araújo diz que Itamaraty buscou insumos para cloroquina a pedido da Saúde

Na CPI da Pandemia, o ex-chanceler comentou ainda sobre as críticas à China e as ações por vacinas

Por Da Redação Atualizado em 18 Maio 2021, 17h03 - Publicado em 18 Maio 2021, 06h44

O ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo prestou depoimento à CPI da Pandemia nesta terça-feira, 18. O ex-chanceler foi questionado, entre outros pontos, sobre a condução da diplomacia brasileira durante a crise sanitária provocada pela Covid-19, as críticas à China, a mobilização do Itamaraty para a compra de medicamentos ineficazes contra a doença e a aquisição de vacinas.

O depoimento

Ernesto abriu o seu depoimento afirmando que, na sua gestão, o Itamaraty atuou “como parte do governo federal”, e não de maneira “avulsa ou autônoma”. Perguntado sobre os atritos do Ministério das Relações Exteriores com a China e seu possível impacto do atraso na liberação de insumos para vacinas vindos do país asiático, o ex-chanceler afirmou que não entende suas declarações como “antichinesas”. A resposta irritou senadores da CPI, que lembraram os embates do Itamaraty com o embaixador chinês no Brasil.

O depoente afirmou ainda que o ministério não teve participação nas negociações com a China pela CoronaVac – segundo ele, essas conversas foram conduzidas diretamente pelo Instituto Butantan. Ernesto confirmou também que o Itamaraty atuou nos contatos com a Índia para viabilizar a importação de insumos para a cloroquina. Essa atuação, segundo ele, teria acontecido a pedido do Ministério da Saúde e do governo Bolsonaro.

O ex-ministro disse também ter tomado conhecimento da carta enviada pela Pfizer ao governo brasileiro em setembro de 2020, mas que não tratou sobre a oferta de imunizantes porque cabia ao Ministério da Saúde definir tal estratégia. O relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), então, questionou Araújo sobre de quem seria a culpa pelo atraso à resposta da carta. O ex-chanceler disse não saber e ressaltou que ninguém do governo o procurou para tratar da questão.

O depoente afirmou que o Itamaraty buscou ajuda no exterior para importar insumos para que farmacêuticas brasileiras pudessem produzir a cloroquina a pedido do Ministério da Saúde. Ao ser perguntado por Calheiros se houve participação de Jair Bolsonaro no caso, Araújo respondeu que “sim”. Segundo ele, em março de 2020 havia expectativa da eficácia do uso do remédio para o tratamento da Covid-19. Posteriormente, foi comprovado cientificamente que o medicamento não é eficiente contra a doença.

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Os requerimentos para a convocação de Ernesto foram apresentados pelos senadores Marcos do Val (Podemos-ES) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE). Do Val argumenta que um dos objetivos da comissão parlamentar de inquérito é apurar ações e possíveis omissões do governo federal no enfrentamento da pandemia, especialmente no agravamento dos casos no Amazonas, com a falta de oxigênio para os pacientes internados.

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O parlamentar disse ainda que, no período como ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo “executou na política externa o negacionismo de Jair Bolsonaro na pandemia, o que teria feito o Brasil perder um tempo precioso nas negociações por vacinas e insumos para o combate à doença”. Já Vieira pretende obter informações sobre os exatos termos de atuação do ministério para trazer vacinas e insumos para o Brasil.

Araújo foi ouvido na condição de testemunha, ou seja, com o compromisso de dizer a verdade sob o risco de incorrer no crime de falso testemunho. Nas duas primeiras semanas de depoimentos na CPI foram ouvidos: os ex-ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, o atual titular da pasta, Marcelo Queiroga, o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, o ex-chefe da Secom Fabio Wajngarten e Carlos Murillo, representante da farmacêutica Pfizer.

(Com Agência Senado)

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