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‘Era visível o interesse dos irmãos pelo dinheiro de PC’, diz ex-cunhada

Eônia Pereira afirmou que Augusto Farias tinha uma “necessidade doentia de possuir tudo o que PC tinha” e que seu patrimônio cresceu com a morte do irmão

Por Da Redação
8 Maio 2013, 11h29

O terceiro dia de julgamento dos quatro ex-seguranças do empresário Paulo César Farias, o PC, começou com a oitiva da última testemunha da defesa, Zélia Maciel de Souza, prima de Suzana Marcolino, seguida pela ex-cunhada de PC, Eônia Pereira, irmã de Elma Farias, que foi casada com o empresário. Convocada pelo juiz como declarante, Eônia confirmou um depoimento prestado em 23 de setembro de 1999, e que consta nos autos do processo, no qual afirma que os irmãos de PC tinham um “interesse visível no dinheiro” do empresário. Ela confirmou ainda que Augusto Farias tinha uma “necessidade doentia de possuir tudo o que PC tinha.”

Um dos irmãos do empresário, o ex-deputado Augusto Farias chegou a ser indiciado, em 1999, como mandante do crime. À época deputado federal pelo PPB (hoje PP), Augusto contou com foro privilegiado e seu caso foi analisado pelo Supremo Tribunal Federal, que acabou decidindo pelo arquivamento em 2002. Com a morte do irmão, segundo Eônia, Augusto aumentou “substancialmente” seu patrimônio e passou a gerir a fortuna de PC, deixando Elma e os filhos sem dinheiro e tentando tirá-los da mansão da família. Durante as perguntas da defesa, Eônia confirmou que a relação dos filhos de PC com o tio Augusto é boa.

Antes do depoimento de Eônia, a defesa tentou impedir que ela falasse ao júri, argumentando que a ex-cunhada de PC não tem nenhuma relação com o crime. O juiz Maurício Brêda registrou o protesto, mas manteve a declaração. O mesmo ocorreu com o depoimento da irmã de Suzana, Anna Luiza Marcolino, também convocada pelo juiz e que será ouvida no final desta manhã.

Prima – O julgamento começou perto das 9h da manhã com o depoimento da prima de Suzana, Zélia Maciel de Souza, última testemunha de defesa a ser ouvida. Ela confirmou ter feito o contato com Mônica Aparecida Calheiros, de quem Suzana comprou a arma usada nos assassinatos. Além disso, acompanhou a prima a uma loja onde adquiriram duas caixas de munição. “Ela dizia que morava numa região muito visada, que chegava em casa tarde e, por isso, estava comprando a arma para se precaver”, contou Zélia.

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Segundo ela, Suzana omitiu o relacionamento com PC Farias durante muito tempo. Ela contou que conheceu o empresário em um jantar marcado pela prima para apresentá-lo. “Foi o único contato que eu tive com ele. Mesmo depois desse jantar, ela não me contava como iam as coisa com o PC”, disse.

Segundo relato de Zélia, logo depois do dia dos namorados daquele ano, 1996, ela encontrou Suzana. A então namorada de PC teria contado que ganhou um carro do empresário e também uma joia. “Mas ela disse que estava muito triste, sem me dar detalhes. Achei estranho ela estar triste depois de ganhar um carro e uma joia”, afirmou Zélia.

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No dia 23 de junho de 1996, o casal foi encontrado morto na casa de praia do empresário, em Maceió. As circunstâncias do crime nunca foram esclarecidas. Inicialmente, a polícia defendeu a tese de que Suzana matou o namorado e, então, tirou a própria vida – versão sustentada pelos advogados dos réus. Mas após a elaboração de novos laudos, cresceu a suspeita que a morte do casal teria sido um duplo homicídio. Os quatro ex-seguranças respondem pela acusação de participação no crime ou de terem sido omissos, uma vez que deveriam zelar pela segurança de PC. No momento do crime, eles eram, além de Suzana, as únicas pessoas presentes na mansão do empresário.

Histórico – PC Farias foi o cabeça do esquema corrupto instaurado no governo de Fernando Collor no início dos anos 90. Em troca de dinheiro, facilitava a vida de empresários interessados em tocar obras públicas, aproveitando-se da influência que exercia sobre o então presidente. PC nomeou, demitiu e influenciou as decisões do governo. Comandando um esquema de poder paralelo, traficou influência e desviou recursos públicos, como ficaria provado por uma série de documentos revelados por VEJA naquele tempo.

Em 1993, ao ter sua prisão preventiva decretada, PC fugiu do país para a Tailândia – e voltou algemado. No ano seguinte, foi condenado a sete anos de prisão por falsidade ideológica e sonegação fiscal, mas fugiu do país em seguida. Cumpriu um ano e meio de prisão, até obter a liberdade condicional por decisão do Supremo Tribunal Federal. Fora da cadeia, tentou retomar sua vida como empresário, até que foi encontrado morto.

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