Clique e Assine a partir de R$ 19,90/mês

‘Enclausurado’, Dirceu acompanhará sua defesa pela TV

Advogado daquele que a acusação aponta como o 'chefe da quadrilha do mensalão' abrirá a fase de defesa dos réus no Supremo Tribunal Federal

Por Da Redação 6 ago 2012, 10h10

Apontado pela Procuradoria-Geral da República como o chefe da quadrilha de mensaleiros, o ex-ministro José Dirceu vai assistir pela televisão, em sua casa em Vinhedo (SP), ao lado da mulher, Evanise dos Santos, à apresentação de sua defesa no julgamento do mensalão, nesta segunda-feira, a partir das 14 horas no Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma hora de sustentação oral, o advogado José Luis Oliveira Lima vai alegar falta de provas da existência do esquema de compra de votos de parlamentares.

Infográficos: Entenda os trâmites do julgamento e o que pesa contra cada réu

Cada um dos advogados terá uma hora para fazer a sustentação oral. Primeiro a falar, José Luiz de Oliveira Lima tem a missão de convencer os ministros de que José Dirceu não era “chefe da quadrilha”, como acusa o procurador Roberto Gurgel. Lima tem enfatizado constantemente não haver provas contra o seu cliente e diz que por falta de evidências Gurgel vem recorrendo a “ilações” e a “fala fácil” para tentar incriminar José Dirceu. O advogado vai dizer que o ex-deputado Roberto Jefferson “inventou” o mensalão e negar a compra de apoio no Congresso. Ele promete ser duro com o Ministério Público.

Leia também:

Procurador diz que Dirceu foi ‘mentor’ do esquema do mensalão

Ao deixar hospital, Jefferson diz que salvou o Brasil de Dirceu

Continua após a publicidade

O principal dos 38 acusados do mensalão está cumprindo à risca o acordo com advogados e equipe de gerenciamento de crise. Desde que se enclausurou na casa que tem num condomínio no interior de São Paulo, ele não botou os pés na rua e manteve o silêncio.

Pela televisão, ao lado da mulher e de um assessor, assistiu ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, acusá-lo de ser “a principal figura, o mentor, grande protagonista” do esquema que se montou no governo Lula, em 2005, para compra de parlamentares e desvios de recursos. Mesmo assim, preferiu não fazer pronunciamentos públicos.

O advogado passou o fim de semana preparando os ajustes finais de sua sustentação oral, em que vai afirmar para os ministros do STF que Dirceu não tem qualquer relação com o mensalão e que sequer há provas de que o esquema tenha existido.

Leia no blog de Reinaldo Azevedo:

O julgamento dos mensaleiros prossegue hoje no STF. A defesa começa a falar. Estão previstas as intervenções dos advogados de José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares. Fiquemos atentos. Vamos ver se há chicanas guardadas na algibeira para empurrar a coisa adiante, num esforço deliberado para cassar o voto de Cezar Peluso. É a agenda do dia. Não estou aqui para tratar de calendário, mas para contestar uma tese que me parece furadíssima, errada mesmo, que já vi até na boca e na pena de pessoas sensatas, interessadas, como todos nós, no fim da impunidade. E que tese é essa? Aquela segundo a qual é o governo Lula que está em julgamento no tribunal. Assim, se Dirceu e os petistas forem condenados, isso significará uma condenação dos oito anos de mandato do Apedeuta. Errado!

Essa avaliação acaba servindo ao propósito dos mensaleiros, se querem saber. Se ministros do Supremo levarem isso em conta, sopesando defeitos e qualidades da era Lula, acabarão concluindo que as coisas não foram tão mal assim… Talvez, então, seja o caso de absolver… Errado! Não é o governo Lula que está em julgamento, mas os 36 que participaram de uma articulação criminosa para fraudar a democracia e o próprio estado de direito. O que o tribunal vai definir é se aquelas práticas eram ou não criminosas. Se eram, atendiam por quais nomes? Como não há crimes sem autores, estes têm de ser punidos.

(Com Agência Estado)

Continua após a publicidade
Publicidade