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Empresário diz ter pago casa de Perillo com dinheiro vivo

Walter Paulo Santiago, que depõe na CPI do Cachoeira, não soube explicar a existência de cheques do sobrinho do contraventor na negociação

Por Gabriel Castro e Laryssa Borges
5 jun 2012, 13h39

O empresário Walter Paulo Santiago disse nesta terça-feira à CPI do Cachoeira ter pago em dinheiro vivo 1,4 milhão de reais pela casa que pertencia ao governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). A Polícia Federal concluiu que o valor foi pago por meio de três cheques assinados por Leonardo Almeida Ramos, sobrinho do contraventor Carlinhos Cachoeira. Mas Santiago nega: “Não conheço essa pessoa, nunca a vi, até o nome nunca ouvi”, afirmou. “Não paguei com cheque, paguei em dinheiro, em moeda corrente, notas de 50 e de 100”.

Em depoimento de cinco horas à CPI, Santiago entrou em contradição. Ao tentar explicar a origem dos recursos que foram aplicados na compra da mansão, disse num primeiro momento que não sabia de onde teria saído o dinheiro – e que só seu contador poderia dar a informação. Depois, declarou que o caixa foi formado recolhendo recursos de diversas de suas empresas. Por fim, afirmou que o montante foi retirado exclusivamente da Faculdade Padrão, da qual é dono.

Apesar de ter informado não ser dono da Mestra Administração e Participações, que oficialmente é dona da casa, disse ser administrador da empresa, embora não recebesse nada por isso. “Queria manter funcionários do nível do engenheiro Écio [o único sócio remanescente da Mestra]. Simplesmente estava ajudando ele e outras pessoas” relatou.

Walter Paulo Santiago negou que tenha feito doações de campanha para o governador Marconi Perillo ou para o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). Também rejeitou a hipótese de ter mantido qualquer sociedade com o bicheiro. “Almocei com Cachoeira cinco vezes durante toda a minha vida”, disse.

Antes de deixar a sala da CPI, Walter Paulo assinou um documento em que abre mão dos seus sigilos fiscal e bancário. A decisão vale também para a empresa Mestra.

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Cartório – No depoimento, o dono da Faculdade Padrão disse que registrou o imóvel em nome da Mestra porque acreditava que a valorização da casa geraria lucro também a seus sócios, que teriam ajudado o empresário. “Comprei a casa como administrador dessa empresa. Sou responsável por qualquer erro ou acerto”, disse.

Ele também não apresentou razões que explicassem por que o imóvel foi registrado no município de Trindade, e não em Goiânia, onde está localizada a casa. O Tabelionato Augusto Costa, em Trindade, é de propriedade de um antigo apoiador do PSDB, José Augusto Costa. A escrevente do cartório, Terezinha Alves Rodrigues, é cunhada do deputado estadual Jânio Darrot, pré-candidato à prefeitura de Trindade.”Nunca fui nesse cartório”, afirmou. “Não conheço o cartório. Simplesmente o interesse para mim é que a documentação chegasse assinada e registrada”.

Walter Paulo também confirmou ter pago 100 000 reais de comissão a Wladimir Garcez, que teria intermediado o negócio. Garcez também foi preso na Operação Monte Carlo por seu envolvimento com o grupo de Cachoeira. O empresário negou qualquer irregularidade na compra do imóvel e disse que não manteve contato com o governador durante a transação. A negociação teria sido feita com Lúcio Fiúza, assessor de Perillo. “O negócio foi feito de forma legal, sempre intermediado pelo senhor Wladimir Garcez, sendo que para efetuar o pagamento exigi que fosse feito diretamente ao proprietário do imóvel ou a seu representante”, disse.

O pagamento foi feito em julho de 2011. O empresário disse, entretanto, ter emprestado a casa para Wladimir Garcez, que concordou em desocupar o imóvel apenas em 15 de fevereiro deste ano. “Nunca se pensou em laranja de nada”, garantiu Walter Paulo, que também admitiu que seria mais fácil ter feito uma transferência bancária sem usar dinheiro vivo. Mas apresentou uma explicação ingênua: “Não pensei nisso na hora”. Walter Paulo disse ainda que não sabia que o próprio Cachoeira estava usando sua casa.

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Walter foi ouvido pela CPI na condição de testemunha, não de investigado, mas prestou juramento de dizer somente a verdade. Em sua fala inicial, o empresário se atrapalhou: “Me entristece ver o meu nome, enrolado por toda uma vida … honrado por toda uma vida ser denegrido por boatos não explicados”.

Diretora – Depois de ouvir Walter Paulo, a CPI recebeu Sejana Martins, ex-diretora da Faculdade Padrão e ex-sócia da Mestra. Ela disse estar desligada das duas companhias há mais de um ano e negou qualquer ligação com o esquema de Cachoeira: “Não conheço o senhor Carlos Cachoeira, não tenho nenhum relacionamento pessoal com nenhuma pessoa que é inquirida pela CPI”, afirmou. Ela também disse ter deixado a Mestra antes da negociação da casa de Perillo. Em seguida, Sejana se recusou a responder mais perguntas e a sessão foi encerrada.

Repercussão – Para o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), o depoimento de Walter Paulo torna mais grave a situação de Marconi Perillo. “Existem algumas contradições. Nós precisamos perseguir a verdade”. Já o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) diz que a versão do empresário precisa ser checada: “Não complica nem descomplica a situação do governador. Nós temos que questioná-lo”. Marconi Perillo falará à CPI na próxima terça-feira.

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