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Empresário atribui doação irregular a petista a uma falha

Na campanha de 2010, ele doou R$ 1 milhão ao líder do governo, Cândido Vacarezza; MP entrou com representação na Justiça Eleitoral

O empresário Benedito Cavallieri Sobrinho atribuiu a doação de 1 milhão de reais ao então candidato a deputado federal e atual líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), na campanha eleitoral de 2010, a uma falha administrativa. A doação levou o Ministério Público Eleitoral a entrar com uma representação no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP).

O empresário, do Grupo Imetame Metalmecânica, sediado em Aracruz (ES), doou a quantia ao petista como pessoa física. Pela legislação eleitoral, para não infringir a lei, ele precisaria ter tido, em 2009, um rendimento de 10 milhões de reais. Por isso, o MP entrou com a representação. O procurador regional eleitoral Pedro Barbosa Pereira Neto, responsável pelo caso, enquadrou Cavallieri no artigo 23 da Lei Eleitoral (Lei 9.504/97). Segundo o advogado Pedro Dalari, não houve má fé.

“Houve uma falha administrativa. A doação deveria ter sido feita pela empresa, mas, na hora de fechar o balanço, descobriram que havia uma falha. Não havia prazo para fazer a retificação. A opção foi comunicar à Justiça Eleitoral o que foi feito”, disse Dalari.

Potência – Benedito está afastado dos negócios da empresa por problemas de saúde. Amigo de Vaccarezza, o filho dele, Étore Selvatici Cavallieri é quem conduz os negócios da empresa, potência no ramo de usinagem e caldeiraria, que emprega 4 mil trabalhadores. Ele fez doações a dois candidatos, em 2010, totalizando 1,5 milhão de reais.

Segundo Dalari, o próprio Cavallieri, de 77 anos, se apresentou espontaneamente ao Ministério Público e admitiu o erro: “Foi o próprio empresário que veio a mim com a determinação de comunicar a Justiça Eleitoral”.

A conduta surpreendeu o procurador r. É a primeira vez que um doador de campanha se apresenta, confessa o equívoco e aceita ser punido com multa tão pesada, sem contestação – ele apenas requereu o parcelamento da dívida e decidiu não questionar a representação ao TRE. O procurador pediu a redução de um terço da sanção que poderá ser aplicada por decisão da Justiça Eleitoral – estimada em 5 milhões de reais.

(Com Agência Estado)