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Empresa investigada pela PF doou R$ 50 mil ao ‘caixa 1’ de Serra em 2014

O então presidente da LRC Eventos e Promoções também repassou o mesmo valor ao senador; empresa é suspeita de intermediar dinheiro da Qualicorp

Por João Pedroso de Campos Atualizado em 22 jul 2020, 00h25 - Publicado em 21 jul 2020, 15h08

Investigada na Operação Paralelo 23 por supostamente ter sido usada como intermediária de dinheiro da Qualicorp ao senador José Serra (PSDB-SP) na eleição de 2014, a LRC Eventos e Promoções aparece como doadora de 50.000 reais à campanha do tucano naquele ano e o seu então presidente, Luís Roberto Coutinho Nogueira, como doador de mais 50.000 mil. Os valores da empresa e do empresário foram transferidos no mesmo dia, 18 de julho de 2014, e declarados pelo senador ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – Nogueira morreu em novembro daquele ano. Segundo as investigações, a LRC firmou contratos com empresas ligadas à corretora de planos de saúde do empresário José Seripieri Júnior para repassar dinheiro a Serra em 2014.

Em coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira, 21, o delegado Marcelo Ivo de Carvalho afirmou que quebras de sigilo nas apurações identificaram que teria havido uma doação única de 100.000 reais da empresa à campanha de Serra. “Sobre a quebra de sigilo, foi identificada uma transferência de 100.000 reais para o comitê financeiro da campanha 2014, sendo que foi declarado só 50.000 reais à Justiça Eleitoral de transferência de recursos financeiros”, afirmou.

Os integrantes da força-tarefa do braço eleitoral da Operação Lava-Jato em São Paulo lembraram ainda que a LRC já havia sido citada na delação premiada do empresário Joesley Batista, dono da JBS, como intermediária de recursos ilícitos à campanha presidencial do tucano em 2010. Segundo Joesley, a JBS pagou à LRC 6 milhões de reais por um camarote no Grande Prêmio de Fórmula 1 de São Paulo, valores que seriam destinados ao tucano.

“Uma das empresas também foi utilizada pelo candidato nas eleições do ano de 2010, objeto de outra delação premiada envolvendo a compra simulada ou superfaturada de um camarote em um evento da Fórmula 1, identificamos claramente ali a existência de um vínculo associativo que traduz o crime de associação criminosa”, disse o delegado da Polícia Federal Milton Fornazari Júnior.

Em seu depoimento, Joesley disse que, dos 20 milhões de reais doados a José Serra em 2010, 6 milhões de reais foram repassados por meio da LRC. “Eles deram nota de patrocínio de um camarote de Fórmula 1, como se tivéssemos comprado um camarote. Realmente teve esse camarote e realmente teve a corrida, só não podia custar 6 milhões”, relatou.

  • De acordo com os investigadores, além de contratos com a LRC, o dono da Qualicorp fez repasses não declarados à campanha de José Serra por meio de uma gráfica e do serviço de venda de softwares. Os 5 milhões de reais supostamente destinados ao senador irregularmente teriam sido pagos em três parcelas – uma de 3 milhões de reais e duas de 1 milhão de reais cada. Outras duas empresas, dos ramos de construção e alimentação, teriam repassado mais cerca de 2 milhões de reais ao tucano.

    A Polícia Federal cumpriu na manhã desta terça 15 mandados de busca e apreensão e quatro de prisão temporária relacionados à investigação. O fundador da Qualicorp está entre os detidos. Serra e os demais investigados tiveram determinado o bloqueio de 5 milhões de reais em bens pela Justiça Eleitoral de São Paulo.

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