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Empreiteiro admite ter pago R$ 10 mi por contratos com Petrobras

Sócio da Engevix fala a jornal e segue linha de defesa das empreiteiras: diz que políticos “aparelharam a Petrobras para arrancar dinheiro" dessas empresas

Por Da Redação - 19 mar 2015, 08h14

Sócio e presidente do Conselho de Administração da empreiteira Engevix, o empresário Cristiano Kok admite, em entrevista publicada nesta quinta-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, que pagou ao menos 10 milhões de reais para obter contratos com a Petrobras. A Engevix é uma das empresas apontadas pelo Ministério Público como participante do cartel de empreiteiras que fraudavam contratos com a Petrobras e distribuíam propina a agentes públicos e políticos – o chamado clube do bilhão. Diversos dirigentes da construtora, incluindo o vice-presidente Gerson de Mello Almada, foram presos em novembro, durante a fase da Operação Lava Jato batizada de Juízo Final.

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Almada prestou depoimento na terça-feira ao juiz federal Sérgio Moro, alegando ter “contribuição relevante” para prestar à investigação. Ele afirmou ao magistrado que o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e o lobista Milton Pascowitch pediram que a empresa fizesse doações a petistas como forma de repasse de propina ao partido. Pascowitch, amigo próximo do ex-ministro da Casa Civil e mensaleiro condenado José Dirceu, se comprometeu, segundo Almada, a mediar relações partidárias da companhia. “Nesse relacionamento estaria envolvido o repasse de valores, um porcentual dos contratos que variava de 0,5% a 1%”, afirmou o empreiteiro.

Já Kok, seguindo a linha de defesa adotada pelas empreiteiras pilhadas no petrolão, afirma que políticos “aparelharam a Petrobras para arrancar dinheiro das empreiteiras. Foi extorsão”. Afirmou que as empresas não optaram por denunciar a extorsão porque “mundo real não dá para fazer isso”. O empresário relata ter pago entre 6 e 7 milhões de reais por um contrato de 700 milhões de reais da refinaria Abreu e Lima, além de 3 milhões de reais por obras na refinaria de Cubatão. “Pagamos em prestações mensais para três empresas do Alberto Youssef, como se fosse prestação de serviços”, afirma.

O empreiteiro alega não saber para quem ia o dinheiro, mas afirma que era claro que Youssef falava em nome do PP. Ao contrário do que alega o sócio, Kok diz que não pagou doações de campanha para ganhar contratos. “Agora, evidentemente, quando você apoia um partido ou um candidato, no futuro eles vão procurar ajudá-lo de alguma forma, não tenha dúvida. É política de boa vizinhança”, disse. Embora alegue que não houvesse cartel, o empreiteiro diz que havia “certa organização para que uma empresa que já estava trabalhando numa determinada refinaria continuasse lá”.

Sobre o contrato da Engevix com Dirceu, Kok afirma que o mensaleiro foi “contratado pelo relacionamento que tinha no Peru, em Cuba e na África”. Assim como o sócio, Almada afirmou que Dirceu fazia “lobby internacional” para a empreiteira depois de ter se colocado “à disposição” para atuar em nome da construtora. A Engevix pagou pouco mais de 1 milhão de reais à JD Consultoria, conforme mostrou o site de VEJA. Para os investigadores, há indícios de que os pagamentos representam, na verdade, propina ao mensaleiro. Reservadamente, interlocutores da Engevix admitem que nunca houve prestação de serviços da companhia em Cuba, países da América Latina e na África, locais onde Dirceu supostamente faria lobby.

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