Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Embaixador boliviano nega conivência e diz que Molina é ‘fugitivo’

Jerjes Talavera diz que autoridades do seu país respeitaram a inviolabilidade do veículo oficial em que Roger Molina seguiu até a fronteira com o Brasil

O embaixador da Bolívia no Brasil, Jerjes Talavera, negou nesta terça-feira que o governo de seu país tenha sido conivente com a fuga do senador Roger Pinto Molina, que estava abrigado na embaixada brasileira em La Paz e não possuía salvo-conduto para transitar pelo seu país.

Talavera disse que, embora fosse contra a ida do parlamentar para o Brasil, o governo boliviano respeitou a inviolabilidade do veículo oficial da embaixada brasileira, no qual o senador viajou por 22 horas até a cidade de Corumbá, em Mato Grosso do Sul.

“A Bolívia respeita, de acordo com a norma internacional, a circulação de veículos com placa diplomática. Então, não fez nenhuma revista. Não sabíamos o conteúdo. Poderiam ser drogas, armas, poderia ser tráfico de pessoas, não sei”, afirmou o embaixador, em entrevista coletiva em Brasília.

Ele afirmou ainda que a Bolívia espera uma resposta do governo brasileiro para só então decidir se pedirá a extradição de Flores. “Nós estamos esperando uma resposta. Quando tivermos uma resposta, o estado boliviano terá uma decisão correspondente”, disse.

Leia também:

Dilma retira indicação de ex-embaixador da Bolívia para a Suécia

Ministério da Defesa diz que não sabia de escolta

Talavera afirmou também que o senador não pode ser considerado um asilado. “É um fugitivo. No momento em que abandona a embaixada, perde o direito de asilo.”

Apesar de cobrar esclarecimentos do governo brasileiro, o diplomata afirmou que o episódio não alterará as relações entre os dois países.

Asilo – O senador Roger Pinto Molina ficou 455 dias abrigado na embaixada brasileira em La Paz. Ele responde a mais de vinte processos por corrupção, e alega ser vítima de perseguição do presidente Evo Morales, ao qual faz oposição.

O governo brasileiro havia concedido o asilo ao parlamentar boliviano, mas ele não obteve um salvo-conduto do governo da Bolívia para deixar a embaixada e seguir para a fronteira com o Brasil. No último final de semana, o responsável pela embaixada brasileira, Eduardo Saboia, decidiu seguir com Molina, em um carro diplomático, até Corumbá. De lá, o boliviano voou para Brasília em uma aeronave providenciada pelo senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES).

Parlamentares – Também nesta terça-feira, o embaixador recebeu quatro parlamentares brasileiros que resolveram prestar solidariedade ao governo boliviano no episódio. O senador Ranolfo Rodrigues (PSOL-AP) e os deputados Ivan Valente (PSOL-SP), Elvino Bohn Gass (PT-RS) e Cláudio Puty (PT-BA), que é vice-líder do governo no Congresso, estiveram com o embaixador para expressar apoio à Bolívia.

“O que ficou claro para mim é que, da parte do corpo diplomático da embaixada brasileira, havia um antagonismo claro, explícito, contra o governo de Evo Morales”, disse Puty.