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Em vídeos, viúva do ex-capitão Adriano detalha assassinatos

Julia Lotufo fez delação premiada e explicou vários crimes ocorridos no Rio de Janeiro, inclusive o da vereadora Marielle Franco

Por Hugo Marques Atualizado em 25 ago 2021, 19h34 - Publicado em 25 ago 2021, 19h06

Viúva do ex-capitão da Polícia Militar Adriano da Nóbrega, Julia Mello Lotufo listou, em sua proposta de delação premiada, dezenas de assassinatos encomendados pelo grupo de extermínio Escritório do Crime, comandado, segundo ela, pelo contraventor e patrono da escola de samba Vila Isabel Bernardo Bello. Em uma sequência de depoimentos prestados ao Ministério Público estadual do Rio de Janeiro e registrados em vídeo, Julia dá detalhes de execuções que marcaram a história da cidade. VEJA teve acesso à íntegra dos depoimentos, que reúnem mais de oito horas de gravações. Segundo ela, a disputa por territórios dominados por bicheiros e desavenças diretas com Bello eram motivo mais do que suficiente para alvejar os desafetos do comandante do Escritório do Crime.

Na proposta de delação, Julia Lotufo afirma que partiu de Bello, por exemplo, a ordem para a execução, em 2016, do então presidente da Portela e candidato a vereador Marcos Vieira de Souza, o Falcon. No ano anterior, o chefe do grupo de extermínio arquitetou a morte do compositor Izainaldo Vieira Leonel, o “Leonel”. Em ambos os casos, disse, por refregas relacionadas ao controle da Vila Isabel. Disputas por territórios do jogo do bicho ou pontos de exploração de máquinas caça-níqueis levaram ao assassinato do contraventor José Luiz Barros Lopes, o “Zé Personal”, em 2011, e do tenente João André Ferreira Martins, morto em 2016 na Ilha do Governador.

Na versão apresentada pela viúva, Bernardo Bello também teria sido o responsável pelas mortes do contraventor Wilson Ourofino de Souza, o “Chuca”, em 2016, e do  empresário Myro Garcia, conhecido como Mirinho, no ano seguinte. O herdeiro da contravenção da Família Garcia foi alvejado por um homem de confiança de Bello, que depois acabou morto como queima de arquivo. No rol de vítimas pelo Escritório do Crime também estão o major PM Alan de Luna Freire, do Batalhão da Ilha do Governador, em 2018, o contraventor Haylton Carlos Gomes Escafura e namorada dele Franciene Souza, em 2017, o bicheiro Alcebíades Garcia, conhecido como Bid, abatido com 40 tiros no ano passado, o pecuarista e contraventor Rogério Mesquita e o sargento reformado Geraldo Antonio Pereira.

  • Boa parte das revelações que a viúva faz está baseada no que ela disse ter ouvido do ex-capitão Adriano. É o caso, por exemplo, da tentativa de execução de Shanna Harrouche Garcia Lopes, mulher de Zé Personal, que sobreviveu ao atentado atribuído, pela candidata a delatora, a policiais militares. Julia também detalha que o marido Adriano da Nóbrega recebeu 500.000 reais pela execução do contraventor Marcelo Diotti, em 2018, apesar de o crime ter sido cometido pela equipe do miliciano Wellington da Silva Braga, o Ecko. Diotti morreu em uma emboscada na noite de 14 de março de 2018, mesma data em que foram assassinados a vereadora Marielle Franco e o motorista dela Anderson Gomes.

    CASO MARIELLE – A candidata a delatora Julia Lotufo diz que os planos para executar Marielle remontam a 2017.

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    CEMITÉRIO DO ESCRITÓRIO DO CRIME – O Haras Modelo, em Guapimirim, a 80 quilômetros do centro do Rio, foi o local escolhido pelo Escritório do Crime para enterrar os corpos de vítimas.

    ASSASSINATO DE MYRO GARCIA – Julia Lotufo conta em detalhes que o contraventor Bernardo Bello foi o real mandante da morte de Mirinho, herdeiro da contravenção no Rio.

    EX-GOVERNADOR WITZEL SE REUNE COM O CHEFE DO ESCRITÓRIO DO CRIME – A viúva relata que Bernardo Bello e o então governador Wilson Witzel se reuniram para discutir a execução de Adriano da Nóbrega.

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