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Em nota, Lupi diz que não sabia sobre aluguel de avião de ONG

Por Luciana Marques 12 nov 2011, 13h00

Em nota, a assessoria de imprensa do Ministério do Trabalho negou que o ministro Carlos Lupi tenha viajado em avião alugado por Adair Meira, que chefia uma rede de ONGs conveniadas com o órgão. O ministro confirmou a viagem ao Maranhão, em dezembro de 2009, mas disse que os deslocamentos realizados dentro do estado foram de responsabilidade do Diretório Regional do PDT do Maranhão, do ex-governador Jackson Lago, já falecido, e do deputado federal Weverton Rocha. O ministro não desmente, no entanto, o fato de Adair Meira ter integrado a comitiva.

“O ministro Lupi desconhece que seu ex-assessor Ezequiel Nascimento, então Secretário de Políticas Públicas de Emprego do Ministério do Trabalho, tenha solicitado avião particular para que ele o acompanhasse nesta agenda”, diz a nota. Em entrevista a VEJA, o ex-secretário confirmou que o avião King-Air branco com detalhes em azul, prefixo PT-ONJ, estava à disposição de Lupi e de integrantes do PDT. O aluguel da aeronave foi pago por Adair Meira, que também estava a bordo, segundo Nascimento.

O ministério afirma que os deslocamentos foram realizados para agendas em veículos de filiados e aviões de pequeno porte, tipo Sêneca. “A aeronave que acompanhava o ministro Lupi na agenda não se trata (sic) de um modelo King Air, conforme Ezequiel Nascimento afirmou, mas do modelo Sêneca”, diz o texto. O ministério divulgou fotos de um evento em que o ministro aparece ao lado de dezenas de pessoas e com um avião ao fundo. No, entanto, as imagens não comprovam em qual aeronave o ministro embarcou. Em nota, o próprio deputado Weverton Rocha confirmou que, durante toda a agenda, foram utilizados dois aviões pela organização local.

O ministério diz ainda que Lupi viajou para São Luiz (MA) em voo regular da companhia TAM para “agendas oficiais e partidárias”. Ocorre que, das oito viagens que o ministro fez no estado, apenas uma era partidária. Causa estranhamento o fato de as despesas terem sido pagas pelo PDT, como alega o ministro, se a agenda era oficial. “A medida foi tomada para evitar que dinheiro público fosse utilizado nesta agenda”, diz a nota do Trabalho.

Contratos – O ministério diz ainda que, à época da viagem, Adair Meira não tinha “nenhum tipo de relação” com a pasta. O que não é verdade: juntas, a Fundação Pró-Cerrado e a Rede Nacional de Aprendizagem (Renapsi), ambas ligadas a Meira, receberam 10,4 milhões do Ministério do Trabalho nos últimos três anos.

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Desde 2008, aliás, a Controladoria-Geral da União (CGU) vem fiscalizando a Pró-Cerrado. A CGU encontrou diversos tipos de irregularidades nas licitações, contratações e execução de seus convênios. De 5,3 milhões de reais que foram executados pela Pró-Cerrado, 3,8 milhões de reais foram repassados à Renapsi, do mesmo dono. Desse total, 1,3 milhão de reais é dinheiro do Primeiro Emprego para Jovens. Segundo a inteligência da CGU, entre as irregularidades constatadas está a “ausência de comprovação de despesas no valor de 5 milhões”.

Em 2010, mesmo com todas as irregularidades envolvendo as ONGs de Meira, a Renapsi foi contratada para qualificação e treinamento de profissionais no Maranhão, para a Refinaria Premium, da Petrobrás, contratos que já renderam 2,3 milhões de reais à entidade.

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