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Em ligação, suspeito de fraude diz usar escritório de Kassab

Reportagem do 'Fantástico' mostra telefonema em que Ronilson Bezerra afirma que imóvel foi emprestado. Em nota, ex-prefeito nega. Outro envolvido, Luis Alexandre de Magalhães, foi solto na madrugada desta segunda-feira

Por Da Redação 4 nov 2013, 00h17

Um telefonema em que o auditor Ronilson Bezerra diz atuar em um escritório pertencente ao ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) foi revelado na noite deste domingo pelo Fantástico, da Rede Globo. Bezerra é apontado como líder do grupo acusado de criar um esquema de desvios na Prefeitura de São Paulo. Também no programa, Kassab negou através de nota qualquer envolvimento com a quadrilha, que cobrava propina para aliviar o gasto de construtoras com o ISS, imposto municipal sobre serviços.

“Eu tô com um escritório bom, aqui pertinho da prefeitura. Um escritório que era do Kassab. É, que ainda é… Mas eu tô emprestado (risos)”, diz o auditor em trecho veiculado no programa. Segundo o jornal Folha de S.Paulo deste domingo, o escritório usado pelos auditores da prefeitura foi alugado pelo empresário Marco Aurélio Garcia, irmão do secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Garcia, filiado ao DEM, ex-partido de Kassab. Marco Aurélio confirmou o negócio e o empréstimo a Ronilson Bezerra.

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Nas ligações, também aparece o nome de Antônio Donato, vereador do PT licenciado e atual secretério de Governo do prefeito Fernando Haddad. Ele é citado por uma mulher em conversa com o auditor Luis Alexandre Cardoso de Magalhães, um dos quatro envolvidos no esquema, como destinatário de 200 000 reais que teriam sido usados em sua campanha eleitoral. Em entrevista à Globo, Donato afirmou jamais ter recebido dinheiro dos servidores acusados de corrupção.

Detido desde quarta-feira no 77º DP, em Santa Cecília, Luis Alexandre de Magalhães foi solto no início da madrugada desta segunda-feira, quando venceu o prazo de sua prisão temporária. Segundo o Ministério Público, ele aceitou fazer uma delação premiada e fornecer mais detalhes do esquema em troca de redução de pena. Os auditores Eduardo Horle Barcellos, Carlos Augusto di Lallo do Amaral e Ronilson Bezerra tiveram a prisão preventiva prorrogada.

Festa – As escutas também mostram o auditor Ronilson Bezerra se gabando de ter sido bem tratado na festa de aniversário de Gilberto Kassab este ano. “Ó, eu fui tratado como secretário, é outro papo, é outra coisa”, diz Bezerra sobre a ida à festa de Kassab a uma mulher não identificada. Ele também cita ter encontrado outro suspeito de corrupção, Marcelo Barcellos.

No comunicado enviado ao Fantástico, Kassab diz ter aberto as portas da sua festa de aniversário a um público amplo, formado de “secretários, secretários adjuntos, subsecretários, assessores, funcionários público de carreira e jornalistas”. E diz não ter “relação pessoal e social” com Bezerra. O ex-prefeito ainda diz não ter relação com o imóvel citado por Bezerra ao telefone. “O responsável já assumiu publicamente que o emprestou para o servidor público concursado, que agora está sob investigação oficial.”

Esquema – A quadrilha da propina era formada por quatro auditores que, de acordo com as investigações, não tinham relação com Kassab ou com o atual prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. O esquema funcionou entre 2006 e 2012. Sob orientação dos membros da quadrilha, construtoras pagavam metade do valor devido do ISS e desse valor uma parte ínfima era recolhida aos cofres públicos. A maior parte era desviada a título de propina, de acordo com o promotor de Justiça Roberto Bodini.

Ouvido pela reportagem, o controlador-geral do município de São Paulo, Mário Vinicius Spinelli, disse que os auditores investigados possuíam patrimônio incompatível com a remuneração. Entre os sinais exteriores de riqueza que geravam a suspeita de que haviam desenvolvido alguma prática ilícita, estava a posse de carros e motos. Mas, principalmente, de imóveis: casas, pousadas e apartamentos de alto padrão em pelo menos três estados, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

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