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Em gravação, Dilma evita se comprometer com fim do fator previdenciário

Presidente-candidata diz que no governo tucano 'a vaca vai mugir', segundo sindicalistas com quem gravou para horário eleitoral

Questionada nesta quarta-feira sobre o fim do fator previdenciário – mecanismo criado no governo Fernando Henrique Cardoso para impedir aposentadorias precoces – por líderes das principais centrais sindicais do país, a presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) negou que pretenda alterar a forma de cálculo do benefício, segundo relato de sindicalistas. Pela manhã, Dilma reuniu diretores das centrais em um estúdio de TV em São Paulo para gravar um programa específico com acenos aos sindicatos.

Dilma foi sabatinada por representantes da CUT, UGT, CTB, CSB, Nova Central, Força Sindical e Contag, em formato semelhante ao já usado pelos marqueteiros do adversário Aécio Neves (PSDB) – ele condiciona o fim do fator à volta do crescimento econômico. A gravação deve ser exibida ainda nesta semana no horário eleitoral.

“Ela falou assim: ‘Estou em campanha eleitoral, mas não vou enganar vocês. Não vou dizer que vou acabar com o fator previdenciário, mas vou retomar o debate que começamos no governo Lula'”, relatou João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical. Segundo ele, Dilma afirmou que convocará uma mesa tripartite de negociação (governo, empresários e sindicalistas) para estudar uma forma de rever a forma da aposentadoria.

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Segundo Juruna, a presidente também disse que aceitará criar uma data-base de negociação do reajuste salarial para os servidores públicos e também se comprometeu a enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei para manter a atual fórmula de reajuste do salário mínimo, com base no INPC e no PIB – o que atende à demanda dos sindicalistas. Por lei, o prazo para a revisão do reajuste se encerra no ano que vem.

Dilma também respondeu a perguntas sobre o combate à violência contra a mulher.

Principal interlocutor do governo com os sindicatos, o ex-presidente Lula não acompanhou a gravação. Segundo o presidente da UGT, Dilma prometeu abrir mais canais de diálogo num futuro governo e disse ter “compromisso formal” com reivindicações trabalhistas. As entidades reclamaram durante o governo Dilma que não eram recebidas pela presidente em audiência.