Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

Em foto com ministro da Educação, educadores exibem livro de Paulo Freire

Docentes venceram prêmio ‘Professores do Brasil’, promovido pelo MEC; Weintraub defende direito ao protesto, mas diz que brasileiro não é copiado no mundo

Por Da Redação - 25 maio 2019, 18h02

Em encontro com o ministro da Educação, Abraham Weintraub, um grupo de educadores que venceu o prêmio “Professores do Brasil” levantou exemplares do livro “Pedagogia da Autonomia”, de Paulo Freire, durante fotografia oficial.

Entre os 30 professores presentes ao evento, em um hotel no bairro de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, ao menos oito tinham o livro em mãos – alguns ergueram seus exemplares durante a foto ao lado do próprio ministro. As ideias de Paulo Freire são constantemente atacadas pelo presidente Jair Bolsonaro, seus filhos e integrantes do governo.

“Foi uma manifestação respeitosa e silenciosa. Soubemos ontem (sexta) que ele participaria do encontro. Então, pensamos em colocar a nossa posição contra o corte de recursos para as universidades. E também mostrar a importância do educador Paulo Freire”, comentou a professora Ana Beatriz Maciel, 34 anos.

Questionado sobre a manifestação dos professores, Weintraub disse respeitar opiniões diferentes das dele. “Ela tem o direito de dizer ‘Viva Paulo Freire. Eu também tenho o direito de dizer que o único lugar que segue Paulo Freire é o Brasil. Quando você tem uma pesquisa que é boa, um antibiótico, uma aspirina ou um avião, os outros tendem a copiar. Ninguém quis copiar Paulo Freire e nossos resultados são ruins.”

Publicidade

No encontro, o ministro criticou o que ele chama de “narrativa” que pretende mostrá-lo como inimigo dos professores. “Eu quero saber como está sendo gasto o dinheiro – que não está indo para vocês”, disse Weintraub. Ele reforçou que o que ele vem pedindo às universidades é transparência.

Sobre as críticas que vem recebendo, Weintraub disse que tem sido até chamado de nazista pelos críticos. “Nada mais horroso que alguém que teve familiar que foi para um campo de concentração ser chamado de nazista.”

Celular

Em outro momento, o ministro divulgou o seu celular particular para os professores presentes ao evento. A assessoria de Weintraub afirmou que o ministro tem o hábito de divulgar o seu telefone e que o ato não tinha nenhuma relação com os últimos acontecimentos envolvendo o MEC e a deputada federal Tabata Amaral (PDT). Na última quarta-feira, Tabata afirmou que irá processar o ministro por divulgar o número de telefone pessoal dela.

Criado pelo Ministério da Educação, o prêmio “Professores do Brasil” tem o objetivo de valorizar, reconhecer, divulgar o trabalho dos professores da rede pública nacional. Os premiados são docentes de todo o Brasil, que seguirão para Quebec e Ottawa no Canadá. Lá trocarão experiências e farão uma imersão na educação e cultura locais. A premiação é uma parceria com o Colleges and Institutes Canadá (CICan), que assumiu os gastos da viagem.

Publicidade

(Com Estadão Conteúdo)


CONHEÇA WEINTRAUB, O RUIDOSO SUCESSOR DE VÉLEZ

Já ouviu o podcast “Funcionário da Semana”, que conta a trajetória de autoridades brasileiras? Dê “play” abaixo para ouvir a história, os atos e as polêmicas do chefe do MEC, Abraham Weintraub. Confira também os outros episódios aqui.


TABATA AMARAL: NASCE UMA DEPUTADA

Conheça a história da menina da periferia que chegou a Harvard e estreou neste ano no Congresso Nacional. Confira também os outros episódios aqui.

Publicidade