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Em depoimento, lobista nega ligação com PMDB

Fernando Baiano, apontado como operador do partido no esquema montado na Petrobras, foi ouvido por três horas pela Polícia Federal em Curitiba

Por Daniel Haidar, de Curitiba - 21 nov 2014, 17h41

O lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, negou em depoimento à Polícia Federal nesta sexta-feira ter ligação com o PMDB. De acordo com depoimentos de delatores da Operação Lava Jato, ele é articulador do partido no esquema bilionário de corrupção na Petrobras. O depoimento durou cerca de três horas, mas o advogado Mário de Oliveira Júnior não quis dar detalhes e alegou ter “se comprometido” a não falar sobre o teor do interrogatório.

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“Fernando respondeu a todas as perguntas. Foi um depoimento tranquilo. Ele negou ligação com o PMDB, como está sendo negado há tempos”, afirmou o advogado ao sair da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR).

A Polícia Federal investiga denúncias de que o lobista intermediou o pagamento de propinas entre empresários, políticos e funcionários da Petrobras. Segundo as investigações, Fernando Baiano recebia “comissões” de empresários interessados em prestar serviços para a Petrobras e providenciava o pagamento de suborno para que os contratos fossem firmados com a estatal.

De acordo com os depoimentos prestados em acordos de delação premiada pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef, Baiano era o intermediário do PMDB e colocava em prática negociatas com a diretoria Internacional da estatal. O lobista tinha proximidade com Nestor Cerveró, ex-diretor da área.

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A ligação entre o lobista e Cerveró foi mencionada em depoimentos do lobista Júlio Camargo, que atuava pela Toyo Setal. Na delação premiada, firmada com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, Camargo disse que pagou 15 milhões de reais a Fernando Baiano em troca de contrato de venda de duas sondas para a diretoria Internacional da Petrobras na época comandada por Cerveró.

Não foi a única ligação do lobista com o PMDB nas investigações desencadeadas pela Operação Lava Jato. Fernando Baiano também aparece, em documento apreendido no escritório de Youssef, como beneficiário de pagamentos de 1,13 milhão de reais.

O lobista teve 8.800 reais bloqueados pela Justiça Federal a pedido do Ministério Público Federal. A ordem judicial era que fossem bloqueados até 20 milhões de reais, mas investigadores desconfiam que o lobista tirou dinheiro do país para evitar um iminente congelamento de bens. Duas empresas do lobista também tiveram ativos bloqueados: a Hawk Eyes teve 6,5 milhões de reais sequestrados e a Technis Planejamento sofreu congelamento de 2 milhões de reais.

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O lobista também possui participação societária em uma fornecedora direta da Petrobras. Como informou na segunda-feira a coluna Radar on-line, a Petroenge Petróleo Engenharia, uma empresa de manutenção industrial, tem contratos com a petroleira e a Transpetro que totalizam cerca de 80 milhões de reais. A Hawk Eyes detém 18% da Petroenge.

O advogado Mário de Oliveira Filho, que defende Fernando Baiano, negou que seu cliente seja lobista ou operador de qualquer partido na Petrobras. Para Oliveira Filho, Baiano é vítima de perseguição. O advogado declarou na quarta-feira que “não se faz obra pública sem acerto” no país. “O empresário, se porventura faz alguma composição ilícita com político para pagar alguma coisa, se ele não fizer isso, não tem obra. Pode pegar qualquer ‘empreiteirinha’ e prefeitura do interior do país. Se não fizer acerto, não coloca um paralelepípedo no chão”, disse o advogado, em Curitiba.

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