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Em clima de tensão com a polícia, MPL fará novo protesto nesta sexta

PM, metrô e CET se mobilizam para evitar que manifestação termine em quebra-quebra, como na semana passada

Por Eduardo Gonçalves 16 jan 2015, 06h54

Um novo protesto contra o aumento da tarifa de transporte público está agendado para as 17 horas desta sexta-feira na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista, centro de São Paulo. E os órgãos de segurança já acenderam o alerta diante da expectativa de que black blocs, mais uma vez, promovam atos de vandalismo durante a manifestação. Os baderneiros mascarados foram responsáveis pelo quebra-quebra no ato anterior, há uma semana.

O comando da Polícia Militar informou que vai aumentar o efetivo no local para 900 homens – no protesto anterior, 800 policiais foram destacados. Como na semana passada, a ‘tropa do braço’ deverá caminhar junto com os manifestantes, e a Tropa de Choque ficará posicionada de maneira estratégica, pronta para agir caso seja acionada. O comandante responsável pela operação, major Victor Fedrizzi, afirmou que colocará guarnições em ruas próximas à passeata para evitar que os vândalos, ao se dispersarem, promovam quebra-quebra na cidade. No último protesto, a maior parte das depredações ocorreram na Avenida Angélica, paralela à Consolação, onde acontecia a passeata.

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Além da PM, o metrô e a Via Quatro, que administra a Linha 4-Amarela, reforçarão o efetivo para inibir ações de vandalismo. Agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) estarão a postos para desviar o trânsito, e funcionários da São Paulo Transporte (SPTrans) serão posicionados para alterar a rota de ônibus se houver necessidade. A subprefeitura da Sé também já foi acionada para retirar o material das obras para instalação de ciclovias na Paulista. O objetivo é evitar que os vândalos mascarados usem entulho para promover o quebra-quebra.

As delegacias da Polícia Civil da região central contarão com plantão de atendimento para eventuais ocorrências relacionadas ao ato – no último, 51 pessoas foram presas e ônibus da PM foram requisitados para encaminhá-las aos DPs. Representantes da Defensoria Pública também acompanharão os manifestantes para fiscalizar a ação da polícia.

O ato foi organizado pelo Movimento Passe Livre, que responsabiliza a PM toda vez que as manifestações resultam em baderna, sem nunca criticar a ação dos vândalos mascarados – o equivalente a endossar a ação dos black blocs. Até a noite desta quinta, a página criada no Facebook para agendar o protesto desta sexta, para o qual 24.000 pessoas confirmaram presença, trazia comentários sobre “agressividade” e “intimidação” por parte da polícia. Convidado a se reunir com a PM, o MPL não compareceu, e anunciou novamente que só decidirá o percurso instantes antes do início da caminhada. No último ato, eles mais uma vez ignoraram o vandalismo promovido pelos black blocs, limitando-se a dizer que foram “atacados violentamente pela polícia”.

No começo da semana, o perfil da PM no Facebook publicou imagem em que compara vândalos a criminosos do Primeiro Comando da Capital (PCC). As publicações foram repudiadas pelo governador Geraldo Alckmin e retiradas do ar. Se os ânimos estão acirrados, as tempestades que têm complicado a vida do paulistano em janeiro podem esfriar o protesto: o Climatempo prevê chuva para a tarde desta sexta – é justamente quando costumam cair os temporais que provocaram alagamentos, quedas de árvores e cortes de luz nas últimas semanas.

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