Clique e assine a partir de 9,90/mês

Em carta, Frei Betto narra ‘visita espiritual’ a Lula na prisão

Religioso diz que ex-presidente está 'sereno', mantém intenção de disputar eleições de 2018 e acredita em 'novo golpe' para breve no país

Por Guilherme Venaglia - 5 jun 2018, 11h19

O frade dominicano Carlos Alberto Libânio Christo, conhecido como Frei Betto, visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de quem é amigo há décadas, na carceragem da Polícia Federal em Curitiba na tarde de segunda-feira, 4. Definido pelo Comitê Popular em Defesa de Lula e da Democracia como uma “visita espiritual”, o encontro foi narrado pelo frade por meio de uma carta publicada em sua coluna no jornal O Globo.

No texto, Frei Betto relatou ter ficado com o petista por 1h15, período em que o ex-presidente lhe disse estar acompanhando atentamente o noticiário. Lula, diz o religioso, descarta desistir de ser candidato à Presidência da República – “Como me retirar de uma disputa eleitoral se as pesquisas comprovam que, sozinho, tenho mais votos que a soma de todos os concorrentes?” –e acredita em “um novo golpe” sendo gestado para breve no Brasil.

Segundo o ex-presidente, estaria sendo promovida – ele não diz por quem –, uma articulação, a qual ele chama de “golpe”, para a adoção do regime parlamentarista por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Lula também disse acreditar que “a elite” se posiciona contra ele por interesses econômicos.

“[Lula] Considera que a elite brasileira, que tanto o bajulou durante os 13 anos de governo do PT, hoje se posiciona contra por estar interessada na venda do Estado brasileiro e indignada com a ascensão social da maioria pobre graças às políticas de inclusão adotadas no período em que ele e Dilma governaram”, escreveu Frei Betto.

Continua após a publicidade

O religioso também afirmou que o ex-presidente ri de especulações de que ele tem problemas com alcoolismo, mantém “relação respeitosa” com os agentes que vigiam sua cela. Na TV, o petista acompanha, afirma o frade, diariamente missas, jornais e programas de música sertaneja, aguardando “sereno o julgamento do mérito dos processos nos quais figura como réu”.

“Tem plena consciência de que o caráter político das acusações que o levaram à prisão pesa muito mais”, completou o frade. Ainda segundo Frei Betto, ele e o ex-presidente se despediram rezando uma oração católica.

Publicidade