Eleitor de esquerda não é uma seita, diz Haddad sobre dificuldade com apoiadores de Lula
Após Datafolha indicar que apenas 66% dos votantes no presidente apoiam sua candidatura ao governo, ex-ministro diz que votos tendem a convergir na eleição
O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira, 6, que o eleitorado de centro-esquerda tende a ser mais crítico na hora de escolher seus candidatos, mas avalia que, ao longo da campanha, deverá haver convergência entre os votos para presidente da República e governador no estado.
A declaração foi dada ao comentar os resultados da mais recente pesquisa Datafolha sobre a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes em evento com a militância para a construção do seu plano de governo.
Questionado sobre o fato de parte do eleitorado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda aparecer distribuída entre diferentes candidaturas de esquerda, Haddad minimizou o cenário e disse acreditar que a tendência é de aproximação ao longo da campanha.
“Existe uma perspectiva de segundo turno quando há mais de dois candidatos disputando. (…) Acho que há um caminho importante para fazer uma crítica construtiva e apresentar uma alternativa ao estado de coisas atual”, afirmou.
A declaração ocorre um dia após a divulgação da primeira pesquisa Datafolha com o cenário consolidado da disputa pelo governo de São Paulo. O levantamento mostra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na liderança, com 46% das intenções de voto, enquanto Haddad aparece em segundo lugar, com 30%. Em um eventual segundo turno, o atual governador também mantém vantagem, por 53% a 37%.
Um dos dados que mais chamaram a atenção do PT foi o comportamento do eleitorado lulista. Segundo o Datafolha, Haddad reúne 66% dos eleitores que afirmam votar novamente no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto Tarcísio de Freitas concentra 77% entre os eleitores que declaram apoio ao senador Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. Foi justamente essa diferença de fidelização entre os dois campos políticos que motivou a pergunta feita ao petista durante o evento.
Ao ser perguntado sobre a fidelidade do eleitorado bolsonarista em comparação ao lulista, o petista afirmou que os dois grupos apresentam comportamentos distintos. “O eleitor de centro-esquerda, por definição, é mais crítico. Ele não é dogmático, não se sente pertencendo a uma seita. É uma pessoa que pondera antes de votar”, declarou.
Apesar disso, Haddad disse acreditar que os votos para presidente e governador tendem a caminhar juntos em São Paulo, repetindo o comportamento observado em 2022. “A tendência é que os votos para presidente e governador estejam alinhados aqui em São Paulo, como aconteceu na eleição de 2022”, disse.
O ministro também confirmou que conta com a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin na campanha desde o início e afirmou que ambos deverão participar juntos das convenções partidárias. “Ele sempre se colocou à disposição. (…) Nas convenções, acho que nós vamos participar das duas. Estaremos juntos nas duas”, afirmou.







