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Eleições rebaixaram MDB para o ‘segundo time’, diz ministro de Temer

Articulador político do atual governo, Carlos Marun admite que partido não deve ocupar cargos na Esplanada a partir do ano que vem

Por Estadão Conteúdo 21 out 2018, 12h13

Acostumado a ser o partido do poder, que se adapta a qualquer governo, o MDB do presidente Michel Temer já está se preparando para ficar fora do Palácio do Planalto. “O MDB agora está no segundo time”, disse o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, após lembrar o fiasco da legenda nas urnas, no primeiro turno das eleições.

No quarto andar do Planalto, Marun carrega diariamente um calhamaço de quase duas mil páginas, chamado por ele de “bíblia política”, sob o título “Ações já executadas e as que serão executadas até o final de 2018”.

O documento está à espera da equipe de transição do presidente eleito, seja ele Jair Bolsonaro (PSL) ou Fernando Haddad (PT).”Tenho certeza de que o Brasil vai ter saudade do governo Temer”, afirma Marun, que classifica o indiciamento do presidente pela Polícia Federal, no inquérito dos Portos, como “festival de ilações”.

Na avaliação do ministro, ao entrar para a segunda divisão, o MDB não será mais protagonista da cena política e, em 2019, ficando ao lado dos “balzaquianos”, partidos que têm cerca de 30 parlamentares, “uns mais, outros menos”.

Há quatro anos, o MDB elegeu 65 deputados federais. Agora, porém, a bancada caiu quase pela metade e, no rastro da alta impopularidade de Temer, ficou com 34. No Senado, o presidente do MDB e líder do governo, Romero Jucá (RR), não conseguiu nem mesmo renovar o mandato.

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“Houve uma destruição da política. Quem sobreviveu? Quem tinha radicais ao seu lado, Lula e Bolsonaro. Quem não tinha foi levado pelo tsunami”, argumentou Marun, citando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso pela Lava Jato, e o candidato do PSL. O mapa das urnas indica que as maiores bancadas da Câmara serão as do PT e do PSL, mas grandes partidos ainda tentam atrair “nanicos” para ampliar suas fileiras.

Defensiva

Temer ficou contrariado com o candidato do MDB à Presidência, Henrique Meirelles, que, no seu diagnóstico, não defendeu o governo. “Nem Meirelles teve essa coragem”, admitiu Marun. “Ele ficou jogando na defensiva, perdeu e acabamos todos perdendo de goleada. Se não tivesse ficado na retranca, poderia ter ultrapassado (Geraldo) Alckmin, do PSDB, e mudado essa eleição.”

Ex-ministro da Fazenda, Meirelles disse que o seu papel na campanha não era o de ser para-raio do Planalto, mas, sim, de mostrar a sua história e divulgar propostas para o País. “Sempre falei com clareza: “Posso perder o seu voto, mas espero ganhar o seu respeito”, insistiu o candidato derrotado.

Conhecido como pit bull de Temer e atuando como uma espécie de “bombeiro” na fervura política, Marun já declarou apoio a Bolsonaro, mas ressalvou que o MDB não deve participar de um eventual governo do capitão reformado do Exército. “Acredito que o momento é de observação”, definiu ele. “Precisamos avaliar a forma de atuação daquele que vier a ser eleito e esperamos que algumas das nossas ideias sejam aproveitadas.”

No diagnóstico do articulador político do Planalto, o principal desafio de quem ganhar a eleição será pacificar o País e fazer a reforma da Previdência. No último dia 16, Temer chegou a dizer que, se o presidente eleito quiser, ajudará a encaminhar a votação da proposta no Congresso. Marun, porém, não escondeu o ceticismo em relação a essa ideia. “Estamos abertos, mas, se não existe nem mesmo unidade na equipe de nenhum dos dois candidatos sobre o assunto, dificilmente teremos condições de avançar até dezembro”, concluiu o ministro.

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