O impacto do fenômeno Cury sobre as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro
Escritor e psiquiatra marca 11 pontos percentuais na pesquisa Nexus/BTG e 7,8 no levantamento AtlasIntel e aparece em terceiro na corrida ao Planalto
Autor de best-sellers de autoajuda, como “O Vendedor de Sonhos”, o escritor e psiquiatra Augusto Cury, agora presidenciável pelo Avante, subiu nas intenções de voto nas últimas pesquisas divulgadas nesta segunda-feira pela Nexus/BTG e pela AtlasIntel/Bloomberg e, com isso, deve ajudar a levar a corrida presidencial ao segundo turno.
Embora a possibilidade fosse pequena, as candidaturas dos favoritos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) alimentavam o sonho de, num esforço final das campanhas nas últimas semanas, liquidar a eleição presidencial já no primeiro turno.
Para isso, contavam com o fato de concentrarem em torno de 80% das intenções de voto no primeiro turno, muito em razão do desempenho pífio de outros candidatos, como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), que oscilavam entre três e cinco pontos percentuais na maioria das pesquisas.
A situação muda de patamar agora. Na pesquisa Nexus/BTG divulgada hoje, Augusto Cury aparece com 11% (tinha 2% na semana anterior, segundo o mesmo instituto), contra 33% de Flávio e 39% de Lula. Já os demais candidatos chegam no máximo a 5% (Ronaldo Caiado).
Ao que parece, Cury “rouba” mais votos de Flávio do que de Lula. O senador do PL perdeu quatro pontos em relação à última sondagem Nexus/BTG, enquanto o petista perdeu dois.
Já na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, Augusto Cury aparece com 7,8%, superando numericamente Renan Santos (7,6%), que até então era o segundo colocado. Também nessa sondagem, Flávio (que caiu de 36% para 33,7%) parece perder mais votos para o escritor do que Lula (que foi de 45% para 43,4%).
De qualquer forma, é fato que Cury sobe tirando votos dos dois principais concorrentes e aumentando a massa de eleitores da chamada “terceira via”, o que reduz consideravelmente a chance de a corrida presidencial terminar no primeiro turno.
Pior para Lula
Também é uma notícia pior para Lula, que claramente terá mais dificuldades em um eventual segundo turno, quando, por conta do antipetismo e da alta rejeição ao seu governo, corre risco de derrota tanto contra Flávio quanto contra adversários como Caiado e Zema. Os institutos não simularam um segundo turno entre Lula e Cury.
Redes sociais
A subida de Cury vinha sendo detectada em monitoramentos nas redes sociais, que apontavam crescimento expressivo das menções feitas ao escritor – há suspeitas de que boa parte dessa movimentação seja inorgânica, ou seja, tenha sido estimulada por técnicas de aumento artificial de curtidas, comentários, visualizações ou seguidores gerado por meio de compra de perfis, uso de robôs ou ferramentas de automação.







