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Eduardo Paes é favorito para ser o prefeito da Olimpíada

Candidato à reeleição no Rio, com ampla coligação e 16 minutos na TV, liderou com folga as pesquisas ao longo da campanha. Marcelo Freixo, do PSOL, foi o desafiante mais bem sucedido entre os cariocas

Se confirmadas as pesquisas de intenção de voto, o prefeito Eduardo Paes, do PMDB, caminha para decidir, neste domingo, em um só turno, o pleito na capital fluminense. Paes consolida, assim, o que já afirmou ser um sonho: estar na prefeitura durante a Olimpíada de 2016. Mais do que o prestígio de comandar o município nos primeiros Jogos Olímpicos no Brasil, o governante dos próximos quatro anos tem perspectivas inéditas de investimentos na cidade. O compromisso dos governos federal, estadual e municipal de criar um “legado olímpico” no Rio de Janeiro entrega ao novo alcaide recursos para corrigir deficiências históricas e escrever o futuro da cidade.

SÁBADO: Pelo Datafolha, Eduardo Paes tem 57%, contra 22% de Marcelo Freixo

A responsabilidade do futuro gestor é imensa. O orçamento dos Jogos ainda não foi apresentado – motivo de críticas do Comitê Olímpico Internacional (COI). Mas o valor inicial dá uma ideia do volume de dinheiro que será empregado em melhorias e construção de arenas na cidade. O dossiê da candidatura do Rio prevê 23,8 bilhões de reais. Sobre valores, só há uma certeza até o momento: o orçamento inicial será certamente multiplicado.

Os rumos que Paes vem escolhendo para a cidade foram temas de campanha. O segundo colocado nas pesquisas, Marcelo Freixo, criticou as remoções da Vila Autódromo, o empenho num sistema “rodoviarista” – pela falta de investimento em transporte por trilhos – e a entrega do futuro Parque Olímpico para a iniciativa privada. Todas as obras têm por fim a Olimpíada. O candidato tucano, Otávio Leite, promoveu um abraço à Avenida Perimetral, que será derrubada para a revitalização do porto, cujas principais obras estarão prontas até 2016. Rodrigo Maia, do DEM, faz dobradinha com Freixo para acusar Paes de dar preferência aos empresários de ônibus.

Otávio, Freixo e Aspásia Camargo concorreram sozinhos em suas siglas, contra uma coligação de 20 partidos liderada pelo PMDB de Paes. Rodrigo Maia teve, no DEM, o apoio do PR. Desde o início, a estratégia de fragmentar a oposição foi vista como a melhor alternativa para tentar forçar um segundo turno no Rio. Era sabida que a popularidade do prefeito era algo dificílimo de ser batido. Paes conseguiu compor um programa de TV com 16 minutos, e só fez aumentar sua margem nas pesquisas, terminando com 57%.

Além do prefeito, pode-se considerar bem-sucedida a campanha de Marcelo Freixo, que atingiu a faixa de 20% e se projetou para voos maiores que o Legislativo estadual, daqui a dois anos. Aspásia e Otávio Leite marcaram posição em suas causas – ela, a da sustentabilidade, ele a defesa das pessoas com deficiência e idosos. Rodrigo Maia testou sua popularidade em uma eleição majoritária, mas frustrou as expectativas depositadas sobre ele por seu pai, o ex-prefeito Cesar Maia, e o ex-governador Anthony Garotinho, pai da candidata a vice, Clarissa Garotinho. Uma das incógnitas para depois de 7 de outubro, aliás, é o futuro da aliança, criada assumidamente por pragmatismo, visando enfrentar a hegemonia do PMDB no estado e na capital.

Leia a série de entrevistas do site de VEJA com os principais candidatos a prefeito:

Eduardo Paes: “A saúde é o desafio do Rio de Janeiro”

Marcelo Freixo: “Quem diz que governa para todo mundo mente para alguém”

Rodrigo Maia: “Até meu eleitor me conhece pouco”

Otávio Leite: “Sou um tucano em busca dos ninhos cariocas”

Aspásia Camargo: “O saneamento seria um ótimo legado da Olimpíada”