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Eduardo Bolsonaro: ‘Se for necessário prender 100 mil, qual o problema?’

Deputado federal reeleito, filho do futuro presidente afirmou que vai lutar para tipificar como terrorismo as invasões de terra promovidas pelo MST

Reeleito deputado federal por São Paulo com 1,8 milhão de votos — o melhor desempenho da história da Câmara , Eduardo Bolsonaro, de 34 anos e filho do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), ressaltou a bandeira de campanha do pai e afirmou que vai lutar para tipificar como terrorismo os atos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A proposta foi repetida diversas vezes por seu pai durante a campanha como candidato ao Palácio do Planalto e não tem o apoio do juiz federal Sergio Moro, futuro ministro da Justiça e Segurança Pública do governo que se iniciará em 1º de janeiro.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Eduardo afirmou que “se for necessário prender 100.000 [sem-terra], qual o problema nisso?”. “O que ocorre hoje é que grupos como o MST por vezes utilizam o seu poder criminoso para invadir terras, incendiar tratores para obrigar o fazendeiro a vender suas terras a um preço abaixo do mercado. Eles impõem o terror para ganhar um benefício. É isso que a gente visa a combater. Isso aí é terrorismo”, defendeu o deputado reeleito.

“Eu vejo problema em deixar 100.000 pessoas com esse tipo de índole, achando que invasão de terras é normal, livres para cometer seus delitos. Eu quero dificultar a vida dessas pessoas”, concluiu Eduardo Bolsonaro.

Em entrevista coletiva após aceitar o cargo de ministro, Moro disse que a medida proposta pelos Bolsonaro “não é consistente”. “As pessoas têm liberdade de manifestação e expressão, e não é diferente com movimentos sociais. Quando [as manifestações] envolvem lesão de direitos de terceiros, não se pode tratar os movimentos como inimputáveis. Mas qualificá-los como organizações terroristas não é consistente”, afirmou o magistrado. 

Ao jornal, o filho de Jair Bolsonaro também defende criminalizar o comunismo. É uma proposta que eu gostaria que fosse adiante, mas que depende de renovação do Congresso. É seguir o exemplo de países democráticos, como a Polônia, que já sofreu na pele o que é o comunismo. Se você for na Ucrânia e falar de comunismo, o pessoal vai ficar revoltado contigo. Outros países também proibiram, como a Indonésia. Um dos papéis dos parlamentares é conscientizar as pessoas”, explicou.

O deputado também defendeu outro tema polêmico: a aprovação do projeto Escola Sem Partido, que pretende proibir o proselitismo político e ideológico nas salas de aula e impor como punição pena de até seis meses de prisão e afastamento do serviço público. “A lei está sendo desrespeitada com frequência. Eu acredito que o projeto não é inconstitucional, mas nós aceitaríamos conselhos e conversar com reitores e com ministros do STF, sem problema nenhum. O projeto não é inócuo, tanto que está balançando o Brasil”, defendeu Eduardo Bolsonaro.

Na entrevista, o pesselista disse que pretende aproveitar a alta do conservadorismo no país “para dar uma resposta ao Foro de São Paulo”, organização internacional que reúne partidos de esquerda, e contou que vai aos Estados Unidos na semana que vem.

“O Steve Bannon [ex-assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump] tem o Movement, que conta com a participação do Salvini [Matteo Salvini, ministro do Interior da Itália]. A gente quer ter uma conexão internacional para a troca de ideias, pensar em medidas que estão sendo feitas de forma pioneira na Itália e que a gente possa fazer aqui. É participar do jogo democrático de forma organizada”, afirmou o filho do presidente eleito.

Eduardo também defendeu uma mudança no corpo de funcionários do Itamaraty “um dos ministérios onde está arraigada essa ideologia marxista”, em suas palavras —, mas disse que o governo de seu pai não se trata de uma troca de doutrinação da esquerda para a direita. “Negativo. A gente quer expor todas as versões históricas, a gente quer ampliar o debate e não monopolizar em cima de uma teoria”, disse o deputado por São Paulo. 

Jair Bolsonaro ainda não definiu quem será o Ministro das Relações Exteriores. Conforme VEJA revelou na semana passada, um dos mais cotados para o posto é José Alfredo Graça Lima, embaixador de carreira do Itamaraty.