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Eduardo Bolsonaro provoca ‘revolta’ e ‘abatimento’ entre ministros

'É um desserviço ao Brasil. Eles não sabem o limite entre uma frase de efeito simples e uma que provoca uma crise'

Por Roberta Paduan - Atualizado em 19 mar 2020, 14h28 - Publicado em 19 mar 2020, 13h53

A crise diplomática com a China provocada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) provocou reações adversas dentro do governo de seu pai. Na equipe ministerial, houve quem ficasse revoltado. “A gente se matando de trabalhar para resolver problemas sérios e o cara vem criar uma crise nova, totalmente desnecessária?”, afirmou a VEJA um dos ministros.

“É um desserviço ao Brasil. Despreparo completo”, comentou outro ministro, referindo-se às mensagens ofensivas à China postadas por Eduardo. “A esperança é que ninguém leve mais a sério esse tipo de atitude infantil. Se eu fosse investidor, não levaria”, relativizou.

Dentro do governo, as reações foram de revolta reservada. Um alto funcionário do Palácio do Planalto recorreu a uma frase que costumava ser repetida pelo ex-ministro Gustavo Bebianno, que morreu de infarto no sábado 14. “Já descobrimos que não adianta ser competente e leal ao presidente. É preciso cair na graça dos filhos também. Caso contrário, a queda é questão de tempo”, afirmou o servidor.

Para um secretário, que também pediu anonimato, os sentimentos não são apenas de “revolta” e “estupefação”, mas também de “abatimento”. “A gente sabe que, muitas vezes, o político cria um personagem. Costumávamos creditar os arroubos da família presidencial a isso, a esse tipo de comportamento mais populista. O problema é que eles não sabem o limite entre uma frase de efeito simples e uma que provoca uma crise. Eles não param, e isso desanima, abate quem está fazendo o serviço sério.”

Outra avaliação é que Eduardo Bolsonaro acabou dando “munição ao inimigo”. “Ele levantou a bola para o Maia cortar”, disse o secretário. Ele referia-se ao pedido de desculpas à Embaixada da China feito por Rodrigo Maia, presidente da Câmara, pelo Twitter.

Em uma segunda postagem, Maia escreveu: A atitude não condiz com a importância da parceria estratégica Brasil-China e com os ritos da diplomacia. Em nome de meus colegas, reitero os laços de fraternidade entre nossos dois países. Torço para que, em breve, possamos sair da atual crise ainda mais fortes”.

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