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Eduardo Bolsonaro ataca deputadas da oposição: ‘Raspem o sovaco’

Filho do presidente usou a tribuna da Casa para provocar as parlamentares que se manifestaram contra as declarações de Jair Bolsonaro sobre jornalista

Por Da Redação - 19 fev 2020, 08h37

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) usou a tribuna da Câmara dos Deputados para atacar deputadas de esquerda que se manifestavam contra a declaração ofensiva do presidente Jair Bolsonaro sobre uma repórter do jornal Folha de S.Paulo.

O filho de Bolsonaro chamou as parlamentares de “corja” e completou: “Podem gritar à vontade, só raspa o sovaco, porque senão dá um mau cheiro do caramba”. O vídeo foi compartilhado nas redes sociais do deputado e a hashtag #RaspemOSovaco ocupa o primeiro lugar nos assuntos mais comentados do Twitter no Brasil na manhã desta quarta-feira, 19. No post, Eduardo chama das deputadas de esquerda de “feminazis”.

As parlamentares de oposição ocuparam a tribuna da Câmara para ler uma nota de repúdio assinada por deputadas contra a declaração de Bolsonaro. “Falamos em nome de mulheres brasileiras desrespeitadas por um presidente machista que ataca a liberdade de imprensa e desrespeita o conjunto das mulheres brasileiras”, disse a líder do PSOL, Fernanda Melchiona (RS).

Acompanhado das deputadas Caroline de Toni (PSL-SC), Major Fabiana (PSL-RJ), Bia Kicis (PSL-DF), Chris Tonietto (PSL-RJ), Soraya Manato (PSL-ES) e, posteriormente, Carla Zambelli (PSL-SP), Eduardo Bolsonaro afirmou que a manifestação das parlamentares de oposição “não passa de discurso político”. “Isso aqui é a imposição do politicamente correto para tentar calar a boca do presidente Jair Bolsonaro”, disse o líder do PSL na Câmara. O deputado também fez o gesto de “banana” às colegas.

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“Nós somos os revoltados que até ontem não tínhamos espaço aqui. Até ontem, era o [deputado federal] Marco Feliciano, Jair Bolsonaro, um ou outro aqui da bancada evangélica. Agora, vocês vão ter que nos engolir”, provocou o filho de presidente, que ouviu gritos de machista das parlamentares da oposição. “Não adianta fazer ‘corinho’ e dizer que representam as mulheres, não, porque nós quebramos a hegemonia de vocês. E, aqui, ninguém se dobra ao politicamente correto, não, e a gente vai continuar falando.”

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Na manhã da terça-feira 18, o presidente Jair Bolsonaro explorou uma informação falsa que um depoente prestou na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News para afirmar que a jornalista Patrícia Campos Mello “queria dar o furo a qualquer preço contra mim”.

No jargão jornalístico, a expressão “dar o furo” significa publicar uma informação exclusiva antes de outros veículos. No caso, Bolsonaro fez menção ao depoimento que Hans River do Rio Nascimento deu à CPMI na semana passada. Ex-funcionário da empresa de marketing digital Yacows durante a campanha eleitoral de 2018, Hans River declarou que Patrícia procurava “um determinado tipo de matéria a troco de sexo”. Ele não apresentou nenhuma prova que corroborasse a afirmação.

Patrícia foi autora de uma reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, em dezembro de 2018, que denunciava a ação de uma rede de empresas, incluindo a Yacows, em um esquema fraudulento de disparo de mensagens pelo aplicativo WhatsApp em favor de políticos.

O depoimento falso de Hans River já havia sido compartilhado por Eduardo Bolsonaro, em manifestações no Congresso e por meio de redes sociais. VEJA, em sua última edição, publicou uma Carta ao Leitor sobre o caso. Leia a íntegra aqui.

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