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Durval Barbosa irá à Câmara falar sobre caso Jaqueline Roriz

Delator aceitou falar publicamente sobre o assunto pela primeira vez, sob a condição de ter sua segurança garantida

Por Adriana Caitano 27 abr 2011, 16h21

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados definiu o local e a data em que ouvirá Durval Barbosa, delator e fio condutor do esquema de corrupção ocorrido em Brasília que ficou conhecido como mensalão do DEM. Sob a garantia de que estará seguro, ele aceitou conversar com os parlamentares na própria Câmara, em sessão aberta no dia 4 de maio, quarta-feira, às 14h.

O convite a Durval Barbosa já havia sido feito, mas ele insistia em ser ouvido na Polícia Federal, onde prestou os depoimentos anteriores. “Depois de muita conversa com ele e seus advogados, conseguimos demovê-lo da ideia de falar em outro local, provando-lhe que a Câmara tem todas as condições técnicas e de segurança para uma conversa aberta”, comentou o presidente do conselho, José Carlos Araújo (PP-BA).

O receio do delator era de que as cenas de brigas e ofensas ocorridas quando ele esteve na CPI sobre o esquema na Câmara Legislativa do Distrito Federal se repetissem. Os deputados federais, no entanto, disseram estar tomando providências para que o primeiro depoimento público de Barbosa após a ida à CPI seja feito em paz. A Polícia Legislativa e a Polícia Federal já foram acionadas para assegurar a integridade de um dos homens mais odiados por antigos políticos locais. Na entrada da sala em que ocorrerá a oitiva os visitantes passarão por detectores de metal.

Processo – A ida de Durval Barbosa ao Conselho terá objetivo específico: tratar do caso da deputada federal Jaqueline Roriz (PSC-DF). No início deste ano foi divulgado um dos vídeos em que ela aparece recebendo dinheiro não contabilizado de Barbosa para a campanha eleitoral de 2006. Assim que a cena veio à tona, Jaqueline afastou-se da Câmara por problemas médicos e tornou-se alvo de um processo no Conselho de Ética.

No depoimento no Congresso, o delator do esquema de corrupção estará autorizado a responder somente a perguntas sobre o caso de Jaqueline Roriz e não poderá falar sobre partes sigilosas do processo, sujeito a penalidades judiciais caso desobedeça a regra. O relator do inquérito do mensalão do DEM no Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, autorizou o acesso dos parlamentares ao vídeo e a parte do processo que lhes interessa para a avaliação do caso.

A expectativa de público e de avanço no processo com a participação de Durval Barbosa no Conselho é alta. Um telão será instalado na sala ao lado para garantir que mais pessoas possam assistir ao depoimento. “Ele vai poder esclarecer os pontos obscuros que irão nortear nosso relatório e os encaminhamentos futuros, mas estará aqui convidado na condição de colaborador e será tratado como tal”, destacou o relator do caso Jaqueline, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP).

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