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‘Duda e Zilmar não são mensaleiros’, diz advogado

Publicitário e a sócia foram os últimos réus da lista do mensalão. Defesa tentou desvincular a dupla do esquema de corrupção

“Duda errou, sim, e pagou”

Os advogados do publicitário Duda Mendonça e de Zilmar Fernandes, sócia dele, enfatizaram nesta quarta-feira no Supremo Tribunal Federal (STF) que a dupla não tem ligação com o esquema de compra de apoio político no Congresso, o chamado mensalão.

O primeiro a falar foi Luciano Feldens. Depois, foi a vez de Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. Os advogados integram o mesmo escritório e apresentaram uma estratégia conjunta de atuação: o primeiro tratou do aspecto técnico. O segundo abordou especialmente os elementos políticos, com elogios ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu ex-homem-forte José Dirceu e ataques ao delator do escândalo, Roberto Jefferson.

Os dois réus são acusados de lavagem de dinheiro e evasão de divisas: eles receberam, via valerioduto, mais de 12 milhões de reais como pagamento pelos serviços prestados à campanha presidencial do PT em 2002. Zilmar sacou parte dos recursos em agências do Banco Rural. Mas a maior parcela foi transferida para uma conta de Duda Mendonça nas Bahamas.

“Ele abriu a conta lá fora porque foi determinado que ele abrisse a conta lá fora”, disse Kakay, empurrando a culpa para o então tesoureito do PT, Delúbio Soares. “Duda não é mensaleiro. Zilmar não é mensaleira”, enfatizou Feldens. Ele afirmou que a dupla não se encaixa, seja qual for o critério, na condição de integrantes da organização criminosa denunciada pelo Ministério Público. E destacou o fato de os pagamentos pela campanha de 2002 ocorreram antes dos empréstimos supostamente fraudulentos que abasteceram o valerioduto.

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Feldens afirmou que a conta nas Bahamas estava registrada em nome do próprio Duda e que a existência da conta não constituía crime. Reconheceu, entretanto, que seu cliente havia deixado de pagar mais de 4 milhões e reais em impostos pelos valores que mantinha no exterior: “Duda errou, sim, e pagou”, disse o advogado.

Para reforçar a alegação de que os réus desconheciam a eventual origem ilícita dos recursos, Luciano Feldens citou até o fato de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não ter sido incluído como réu no processo: “Que o presidente não soubesse, ou que Vossa Excelência (o presidente Ayres Britto) ou o procurador não tivesem convicção de que Lula soubesse, eu aceito plenamente. O que eu não aceito é o anticritério, porque Duda e Zilmar são agentes privados”, afirmou ele.

Kakay ainda ironizou o fato de a Procuradoria-Geral da República tratar Zilmar Fernandes e Duda Mendonça como uma só pessoa, sem discriminar que atos criminosos teriam praticado cada um deles.”Achei que fosse Leandro e Leonardo. Na acusação, parecia que era uma só pessoa. Zilmar foi acusada por osmose”, criticou. Ele também negou a existência do mensalão: “Absolutamente não existiu o mensalão. É uma tese de defesa de um delator, homem já sem nenhuma credibilidade”, declarou.

José Luiz Alves – Roberto Pagliuso, advogado de José Luiz Alves, foi o primeiro a falar na sessão desta quarta-feira. O réu, ex-assessor do ministro Anderson Adauto, é acusado de ter sacado parte dos recursos do mensalão repassados ao extinto PL: “Essa suposição de que, apenas por tirar o dinheiro ele sabia de todos os crimes praticados pela quadrilha, não é possível, não é admissível”, afirma o advogado.