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Dos apelidos às piadas: o debate que você não viu na TV

Encontro de presidenciáveis foi tão movimentado nos bastidores quanto diante das câmeras. A seguir, os momentos mais divertidos - e tensos - na plateia

Por Da Redação - 2 set 2014, 07h33

‘Marinês aplicado’ – O senador evangélico Magno Malta (PR-ES) revela o tamanho da encrenca no meio religioso com a divulgação do plano de governo de Marina Silva que defendia o casamento gay – e foi modificado. “Ela não errou uma frase, foi um texto inteiro. Ela precisa verbalizar: ‘Sou contra o casamento gay’. Ou vai ficar na base do me engana que eu gosto.”

Alvo – O comitê petista comemorou até os questionamentos de Eduardo Jorge e Luciana Genro à sucessora de Eduardo Campos na chapa do PSB. “Marina era uma outsider e agora está sendo discutida”, disse o vereador José Américo, secretário nacional de comunicação do PT.

A arte da guerra – Petistas também aprovaram a estratégia de Dilma de procurar o embate direto com Marina, pontuar contradições – e a falta de explicações da principal adversária da presidente. “Chegou a hora de a onça beber água”, disse o vice-presidente nacional do PT, deputado José Guimarães (CE), minutos antes de o debate começar. A ofensiva deixou Dilma nervosa – ela chegou a gaguejar em algumas respostas. “Marina tem consciência de que agora é vidraça”, disse o presidente do PSB, Roberto Amaral.

Codinomes – O debate do SBT abriu a temporada de apelidos entre os candidatos à Presidência da República. Eduardo Jorge (PV) batizou Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) de “G3”, uma adaptação para a sigla do grupo dos países mais ricos do mundo. Levy Fidelix (PRTB) tentou reproduzir a ideia do verde, mas embaralhou as letras para “3G”. Luciana Genro arriscou chamá-los de “os três irmãos siameses”. E Aécio Neves só se referiu a Dilma como “a candidata oficial”.

Dicionário – A pronúncia da palavra estupro continua assombrando os candidatos – e não só à Presidência da República. Na segunda foi a vez do Pastor Everaldo maltratar a gramática ao falar no combate ao “estrupo (sic)”.

Em forma – Candidato ao Senado por São Paulo, o ex-governador José Serra manteve a tradição e chegou atrasado ao debate. Só tomou seu lugar na plateia no segundo bloco. Havia poucas cadeiras vagas, na fileira do PSC e na última. Ensaiou pular as cadeiras, mas deixou que um assessor o fizesse: “Eu me sinto jovem para isso”, disse Serra.

Selfie – O deputado federal Beto Mansur, que tenta a reeleição pelo PRB, sacou o celular logo antes de o debate começar para registrar um selfie no estúdio do SBT, decorado com os pilares do Palácio do Planalto.

Superstição tucana – Presidente do diretório paulista do PSDB, o deputado federal Duarte Nogueira vestiu uma gravata azul, com uma pequena ferradura prateada gravada no tecido, para ir ao debate no SBT. Ele explica o figurino: “A ferradura de sete cravos é um símbolo de sorte, tem quatro de um lado e três do outro. É a gravata com que tomei posse como líder da bancada em 2011. Ela ajuda nos momentos mais difíceis.”

Tempo! – Marina Silva e Dilma Rousseff foram as candidatas que mais extrapolaram os minutos de resposta previstos pela organização do debate, que foi condescendente com todos os candidatos. Em alguns momentos, elas chegaram a provocar protestos da plateia.

Acuado – Pastor Everaldo Pereira teve de responder a uma pergunta delicada, que deixou em apreensão a bancada do PSC na plateia. Foi colocado em xeque com as acusações de sua ex-mulher, Katia Maia, que move contra ele processo por agressão física, “chutes e socos”. O religioso negou tudo. A cantora gospel Ester Batista, atual mulher de Everaldo, que se distraiu no celular durante a maior parte do debate, acompanhou com olhar fixo e sacudindo a cabeça em sinal positivo. “Ele foi verdadeiro”, disse.

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Coleção – Marina Silva abandonou os chamativos óculos vermelhos usados no debate da Band. Desta vez, adotou um modelo mais simples, preto e de hastes finas. Só os usou para ler uma apostila e retirou antes de aparecer em vídeo.

Frio – Depois de ouvir de membros da campanha conselhos para que abandonasse o xale e os óculos vermelhos, Marina foi apenas com um casaco para o debate. Enquanto deixava o estúdio, reclamou para os assessores. “Não tem condições com esse frio esses debates, com esses canhões aqui”, disse, apontando para um dos focos do ar condicionado.

Calouro na política? – Se ao assistir ao debate o apresentador Raul Gil mostrou-se bastante animado, fazendo risinhos e conversando com os que estavam próximos, ao final ele arriscou dizer que estava pensando em se candidatar. Ele aproveitou para fazer elogios a Marina Silva e a Beto Albuquerque. “Vocês vão chegar lá. Ela estava tranquila, serena”, disse. Extrovertido, ele imitou Cauby Peixoto para o presidente do PSB, Roberto Amaral, Beto Albuquerque e Miguel Manso, presidente do Pátria Livre.

Ritmo lento – Conhecidos pela fala mansa, pausada e demorada, o senador Eduardo Suplicy (PT) e o presidenciável do PV, Eduardo Jorge, conversavam antes do debate. Suplicy pediu explicação mais completa na TV sobre a proposta de simplificação de impostos do verde, que pretende unificar tributos sobre movimentação financeira. “O problema é que não vai dar tempo”, disse Jorge.

Mãozinha – No fim do último bloco, o candidato a deputado federal e presidente do PSC em São Paulo, Gilberto Nascimento, sacou do bolso do paletó um pequeno maço de santinhos e ficou esperando o tucano José Serra passar. Sem cerimônia, entregou ao tucano, que ficou surpreso. “Me ajuda”, pediu ao pé do ouvido de Serra, que lidera a corrida ao Senado.

Hora errada – Um dos coordenadores da campanha de Aécio Neves, o ex-governador paulista Alberto Goldman reprovou a declaração do coordenador geral da campanha do tucano, o senador Agripino Maia (DEM-RN), que pregou aliança dos tucanos com Marina Silva no segundo turno para derrotar um “mal maior”. Goldman disse que o democrata foi “inconveniente”. “Está falando besteira”, criticou.

Vem com a gente – Roberto Amaral, presidente nacional do PSB, aproveitou a deixa de Agripino e já pediu o apoio de Aécio Neves (PSDB). “Aceito o apoio de quem quiser nos apoiar, até do Aécio. Quero que o Aécio nos apoie.”

Sebo – Amaral, aliás, nega que Marina tenha recuado no programa de governo só por pressão dos evangélicos, sobretudo do pastor carioca Silas Malafaia, um dos que mais repudiou publicamente o programa do PSB. “Eu não tenho tempo para ver Malafaia. Tenho muitos livros para ler”, ironizou. “Não estou dizendo que não teve pressão, mas foi uma decisão dele após a primeira leitura do texto. Eu prefiro que questões religiosas não sejam envolvidas com questões políticas, nem que houvesse candidatura religiosa. Estou me referindo ao pastor, que é religioso até no nome.”

Nada se cria, tudo se transforma – O clima entre os membros do PSB que assistiam ao debate da plateia era de alguma descontração. Depois de a presidente Dilma Rousseff ter respondido a perguntas dizendo que concordava com alguns dos problemas de seu governo, o vice de Marina Silva, Beto Albuquerque brincou: “O João Santana agora concorda com críticas e diz que vai mudar depois de doze anos”, ironizou. Dando continuidade às brincadeiras, Albuquerque ainda falou a Maurício Rands, um dos coordenadores do programa: “Maurício, tem alguém infiltrado e dizendo para Dilma ler nossas propostas.”

Tá certo – Antes mesmo de Marina Silva dizer que Eduardo Jorge (PV) foi coerente ao explicar as diferenças entre o seu partido hoje e em 2010, quando Marina disputou a Presidência da República pela sigla, membros do PSB que estavam na plateia aprovaram a fala dele fazendo um sinal de positivo com a cabeça. (Felipe Frazão e Talita Fernandes)

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