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Dono de ONG desmente Lupi ao confirmar voo com ministro

Na noite de segunda, VEJA mostrou foto da viagem negada por Carlos Lupi

Por Da Redação 15 nov 2011, 00h40

Adair Meira: “O ministro está confuso em dar esta declaração”.

A tentativa do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, de contestar uma informação divulgada por VEJA caiu por terra em poucas horas na segunda-feira. Além da divulgação de imagens que mostram Lupi viajando num avião particular durante visita oficial a cidades do Maranhão em dezembro de 2009, o dono da ONG Pró-Cerrado, Adair Meira, confirmou na noite de segunda-feira que estava com o ministro numa das viagens. “Eu viajei com o ministro num trecho, isso eu confirmo”, afirmou Meira em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

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A confirmação desmente a declaração dada pelo ministro à Câmara dos Deputados na semana passada de que não conhecia o dono da Pró-Cerrado nem voara com ele. “Nunca andei em jatinho de Adair, não o conheço. Não tenho nenhum tipo de relação com ele”, afirmou Lupi. Adair Meira foi categórico: “O ministro está confuso em dar esta declaração”. O voo compartilhado por Lupi com Adair, um empresário-ongueiro que mantém contratos suspeitos justamente com a pasta comandada pelo presidente licenciado do PDT, coloca o ministro em rota de colisão com o Congresso e com o Planalto.

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O dono da Pró-Cerrado afirmou que indicou a aeronave a ser alugada para a viagem, mas negou que tenha arcado com os custos. “Eu não paguei. Eu indiquei a companhia”, disse. O avião King Air usado na viagem foi alugado numa empresa de táxi aéreo de Goiânia, sede da entidade Pró-Cerrado. Adair disse que atendeu a um convite do ex-secretário de Políticas Públicas de Emprego Ezequiel Nascimento para ir de Brasília a Grajaú, no Maranhão, em dezembro de 2009. O tour que reuniu ministro, assessores e o empresário foi para promover um programa do ministério de qualificação profissional.

Segundo o empresário, o ministro Carlos Lupi não estava no voo desde de Brasília. “Eu viajei com o ministro, acredito, no trecho entre Imperatriz e Timon”, disse o dono da Pró-Cerrado, entidade que já recebeu 13,9 milhões de reais do Ministério do Trabalho e é suspeita de desvio de recursos. Adair confirmou que, além de Lupi, estavam na aeronave o ex-governador do Maranhão Jackson Lago (já falecido), Ezequiel Nascimento e Weverton Rocha, ex-assessor de Lupi. Em sua defesa, Lupi alegou que o PDT pagou as despesas daquelas viagens ao Maranhão. “Eu não sei quem pagou. Acho que essa versão de que foi o PDT pode ser verdade”, disse Meira.

(Com Agência Estado)

Leia no blog do Reinaldo Azevedo:

Dilma tem de decidir se demite Lupi ou se mantém um ministro que mente para os deputados, mente para membros de seu próprio partido e mente para a presidente da República. Parece ser uma escolha fácil – a menos que Dilma use aquela ética de José Dirceu, que defende uma “combate imoralista da corrupção”. Segundo esse particular ponto de vista, as virtudes dos adversários são vícios e os vícios de petistas e aliados são virtudes.

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