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Doleiro Juca Bala mandou US$ 3 mi a Cabral em Andorra, diz MPF

Em denúncia contra o ex-governador e outras oito pessoas, investigadores afirmam que dinheiro tinha como origem a empreiteira Odebrecht

Por João Pedroso de Campos 8 mar 2017, 17h00

Na denúncia oferecida nesta quarta-feira à Justiça Federal do Rio de Janeiro contra o ex-governador fluminense Sérgio Cabral e outras oito pessoas, o Ministério Público Federal afirma que o doleiro Vinícius Claret Vieira Barreto, conhecido como Juca Bala, operacionalizou o pagamento de propina de três milhões de dólares da empreiteira Odebrecht a Cabral em um banco de Andorra, paraíso fiscal entre França e Espanha.

Segundo o MPF, Bala se valeu de um contrato de fachada de uma empresa de Renato Chebar, um dos delatores do esquema de corrupção liderado por Cabral, para operacionalizar nove transferências bancárias no Banco BPA, no país europeu, entre maio de 2011 e janeiro de 2014, durante o segundo mandato do peemedebista no Palácio Guanabara.

“Vinícius Claret Vieira Barreto (“Juca”/”Juca Bala”) e Claudio Fernando Barboza de Souza (“Tony/Peter”), além de integrarem a organização criminosa, tinham contato estreito com a empresa Odebrecht, o que lhes facilitava receber para o grupo criminoso as propinas provenientes da mencionada empresa”, afirmam os procuradores da Lava Jato no Rio.

A relação de Juca Bala com a Odebrecht foi detectada pelos investigadores a partir da anotação de um número telefônico do operador em um caderno de Maria Lúcia Guimarães Tavares, ex-secretária do departamento de propinas da empreiteira, alvo da 23ª fase da Operação Lava Jato.

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Antes de ser preso, na semana passada, Juca Bala era dono de uma loja de surf, a Paddle Boards Uruguay, em Punta del Leste, no Uruguai. Conforme as investigações do MPF, ele passou a operacionalizar remessas de dinheiro sujo ao grupo político de Sérgio Cabral em 2007, quando o peemedebista assumiu o governo fluminense e o valor das propinas ficou tão alto que os doleiros Renato e Marcelo Chebar precisaram acionar outros colaboradores.

Os procuradores da Lava Jato no Rio concluíram que o operador Carlos Miranda, próximo a Cabral, recolhia o dinheiro de propina paga por empreiteiras que tinham contratos com o governo do Rio e o entregava aos irmãos Chebar, que repassavam os valores a Juca Bala e outro operador, Cláudio Souza, aos quais cabia enviar o dinheiro ao exterior.

Esta é a sexta denúncia contra o ex-governador a partir das investigações da Operação Lava Jato. Desta vez, o peemedebista é acusado de 25 crimes de evasão de divisas, 30 crimes de lavagem de dinheiro e nove de corrupção passiva. Além de Cabral, Juca Bala, Renato e Marcelo Chebar e Cláudio Souza, foram denunciados Carlos Miranda, o ex-secretário de Governo Wilson Carlos, Sérgio Castro de Oliveira e Timothy Scorah Lynn.

Caso o juiz federal Marcelo Bretas aceite a acusação, Cabral sentará no banco dos réus pela sexta vez. Preso desde novembro no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, o ex-governador já é réu em cinco ações penais da Lava Jato, acusado de 332 crimes de lavagem de dinheiro, entre outros crimes.

Após os acordos de delação premiada de Renato e Marcelo Chebar, os investigadores mapearam 318,5 milhões de reais oriundos de contratos públicos e mantidos Cabral e seu grupo político fora do Brasil. O valor está dividido em 100 milhões de dólares depositados em contas no exterior, 1,2 milhão de euros e um milhão de dólares em diamantes guardados em cofres e 247.650 dólares em 4,5 quilos de ouro, também alocados em um cofre no exterior.

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