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Dois retratos revelam o paradoxo da campanha de Flávio Bolsonaro

Na manhã da última quarta-feira, senador mostrou mais uma vez sua fragilidade política e também sua resistente força eleitoral

Por Daniel Pereira 8 ago 2026, 13h42 | Atualizado em 10 ago 2026, 10h57
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No fim da manhã da última quarta-feira, 5, o senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República, anunciou como vice em sua chapa o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), relator da finada CPI do INSS, que investigou a roubalheira bilionária contra aposentados e pensionistas.

Foi um ato esvaziado. Além da dupla que disputará a corrida ao Palácio do Planalto, destacavam-se no palco poucos políticos de expressão. Entre eles, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o coordenador da campanha do Zero Um, senador Rogério Marinho (PL-RN), e as senadores Damares Alves (Republicanos) e Tereza Cristina (PP), que chegou a ser cotada para compor a chapa com Flávio.

Alguns dos principais quadros do PL, reconhecidos como puxadores de voto, não prestigiaram o ato, como o deputado federal Nikolas Ferreira (MG) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que alegou estar ocupada com os preparativos do almoço do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Como esperado, o senador não passou recibo de seu isolamento. Aproveitando-se da presença de Damares Alves e Tereza Cristina, ele declarou: “Os principais quadros (dos partidos) estão caminhando conosco”.

Não é verdade. Flávio Bolsonaro até tentou, mas não conseguiu fechar aliança com qualquer legenda, inclusive com as do Centrão, como o PP de Tereza Cristina, o Republicanos de Damares Alves e o Podemos, que preferiram a neutralidade na eleição presidencial. Já o seu principal adversário, Lula, concorrerá num coligação formada por sete siglas, incluindo o PT.

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Mais uma vez, o senador demonstrou fraqueza política. Uma das consequências disso será ele ter um minuto a menos na propaganda eleitoral de TV do que o presidente.

Outro lado da moeda

A falta de aliados formais geralmente é um indicador da fragilidade de uma candidatura, mas não é a garantia de seu fracasso. O clã Bolsonaro é uma prova disso. Apesar de seu isolamento partidário e das sucessivas crises enfrentadas por sua campanha, Flávio Bolsonaro mantém uma tremenda força eleitoral.

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Horas antes do anúncio de Alfredo Gaspar como vice na chapa do PL, a Genial/Quaest divulgou nova pesquisa sobre a corrida presidencial. Nela, a distância entre Lula e o senador diminuiu nas simulações de primeiro e segundo turnos. Numa eventual rodada final, a diferença, que era de oito pontos, caiu para cinco pontos.

O Zero Um cresceu, por exemplo, entre eleitores independentes, que são considerados decisivos para o resultado final. Nesse segmento, a vantagem de Lula baixou de treze pontos em julho para três pontos em agosto. Em 2018, Jair Bolsonaro — o então azarão (ou Dark Horse, em inglês, como ensina a cinebiografia patrocinada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro) — venceu a disputa por um partido nanico, sem aliados e com minguados segundos na propaganda de TV.

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Foi um caso raro, que quebrou paradigmas e abriu o precedente. Isolado, o primogênito do ex-presidente quer repetir a história do pai. No final das contas, o que importa mesmo é a quantidade de votos nas urnas.

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