Divisões internas marcaram campanha de Lula antes de reação nas últimas duas semanas
Divergências na equipe e crise no STF pesaram sobre a candidatura, que passou a buscar maior unidade na reta final
A campanha de Lula passou por um período de divisão interna que, segundo aliados do presidente, prejudicou o desempenho da candidatura à reeleição. Houve divergências entre uma ala liderada por Edinho Silva, presidente do PT e coordenador nacional da campanha, e outra ligada ao ministro da Secom, Sidonio Pereira. Nas últimas duas semanas, porém, o diagnóstico é de reação, com maior alinhamento interno, mobilização da militância nos estados e a adoção do discurso do “doa a quem doer” em relação ao STF.
Entre as divergências estava a estratégia e o momento de anúncio de medidas. Sidonio, por exemplo, defendia que a proibição das bets deveria ter sido anunciada antes. Na avaliação dos aliados, medidas como o fim das apostas online, a oferta de canetas emagrecedoras pelo SUS e o aumento do Bolsa Família ajudaram a impulsionar a campanha.
Outro fator apontado foi a crise no STF. O episódio envolvendo o ministro Alexandre de Moraes levou a campanha a buscar uma posição de maior distância em relação ao magistrado. O discurso do “doa a quem doer” passou a ser utilizado nesse contexto, segundo integrantes da campanha. Um relatório da Polícia Federal apontou registros de encontros e trocas de mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, além de negociações envolvendo contratos com o escritório de advocacia da esposa do ministro.
O diagnóstico interno, no entanto, é que a falta de direção em parte da disputa também prejudicou Lula. Aliados avaliam que Flávio Bolsonaro tem um teto. Pesquisas internas da campanha, segundo essas fontes, apontam Lula à frente no primeiro e no segundo turnos.
A participação de Lula no debate da TV Globo também provocou divergências. Uma ala defendia a presença do presidente, enquanto outra avaliava que ele poderia se tornar o principal alvo dos demais candidatos. No fim, foi o próprio Lula quem decidiu não participar.
Segundo aliados, a campanha chegou agora a um maior alinhamento, com a definição do discurso, as novas medidas e a maior mobilização da militância nos estados.





